Justiça bloqueia participação acionária de Vorcaro e mais dois executivos investigados no BRB

Decisão judicial impede venda de papéis avaliados em R$ 376 milhões enquanto banco enfrenta suspeitas de fraude e prejuízo estimado em R$ 5 bilhões.

Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 10:02

Vorcaro integra quadro societário do BRB por meio de holding em paraíso fiscal
Vorcaro integra quadro societário do BRB por meio de holding em paraíso fiscal Crédito: Reprodução

O Banco de Brasília (BRB) conseguiu na Justiça o bloqueio e o arresto das ações que pertencem a três executivos investigados no caso envolvendo o Banco Master. A medida impede que os papéis sejam vendidos e garante que o valor, estimado em R$ 376,4 milhões, fique reservado para possível recomposição financeira da instituição.

A decisão atinge Daniel Vorcaro, o ex-sócio do Master Maurício Quadrado e João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag Investimentos. Eles adquiriram ações do BRB como pessoas físicas e se tornaram acionistas do banco. A existência dessas participações foi revelada no início de fevereiro pelo Jornal Nacional e por um blog especializado.

Em comunicado ao mercado, o BRB informou que notificou o agente de custódia responsável pelos papéis, o Bradesco, para assegurar que os ativos não sejam negociados. Na prática, os executivos ficam impedidos de se desfazer das participações até que o caso seja esclarecido. O processo tramita sob sigilo.

A medida judicial ocorre em meio a um cenário delicado para o banco público. O BRB é alvo de investigação após adquirir mais de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master que apresentam indícios de irregularidades. A estimativa preliminar aponta para um impacto negativo de pelo menos R$ 5 bilhões. O tamanho exato do prejuízo deve ser conhecido em março, quando a instituição divulgará seu balanço financeiro.

As apurações ganharam força em novembro de 2025, quando a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero. Na ocasião, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado por decisão judicial e posteriormente desligado do cargo.

A crise se aprofundou depois que o Banco Central rejeitou oficialmente, em 3 de setembro de 2025, a tentativa do BRB de assumir o controle do Banco Master. A proposta previa a compra de 49% das ações ordinárias, 100% das preferenciais e 58% do capital total da instituição. O negócio havia sido anunciado em março daquele ano e era tratado pelo BRB como estratégico.

O mercado, no entanto, já demonstrava preocupação com o modelo de captação considerado arriscado do Master e com dúvidas sobre a qualidade de parte de seus ativos. Meses antes da decisão do Banco Central, o Ministério Público Federal havia recomendado que o BRB comprovasse a regularidade e a confiabilidade dos ativos do Master antes de concluir qualquer aquisição. O órgão alertou para o risco de passivos ocultos e ativos superavaliados, o que poderia comprometer recursos públicos.

Com a compra barrada, investigações em andamento e um possível rombo bilionário, o BRB agora corre contra o tempo para recompor seus índices de capitalização e tentar recuperar a confiança do mercado e dos correntistas.