Justiça determina indenização a Sílvio Pantera após prisão injusta por seis anos

Lutador foi condenado por um crime que não cometeu e passou quase seis anos preso; decisão mais recente do TJ-RJ reconheceu o direito à reparação por danos morais

Publicado em 8 de agosto de 2026 às 18:54

Lutador Silvio Pantera -
Lutador Silvio Pantera - Crédito: Reprodução/Internet

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) voltou atrás em uma decisão anterior e determinou que o Estado indenize o lutador Sílvio José da Silva Marques, conhecido como Sílvio Pantera, que passou quase seis anos preso após ser condenado injustamente por um crime que não cometeu. A nova decisão foi divulgada nesta semana.

Pantera ficou privado da liberdade entre 2016 e 2022, depois de ser apontado como envolvido em um caso de roubo e tentativa de latrocínio. O lutador acabou posteriormente absolvido, após a defesa identificar irregularidades no processo e questionar, entre outros pontos, a forma como teria ocorrido o reconhecimento feito pela vítima.

Decisão havia negado indenização

A busca por uma reparação financeira também teve uma longa batalha nos tribunais. Inicialmente, o pedido de indenização foi rejeitado em primeira instância, em 2024. Posteriormente, o caso chegou ao TJ-RJ e terminou, em abril deste ano, com placar de 3 votos a 2 contrário à reparação.

A defesa de Sílvio Pantera apresentou então embargos de declaração, recurso utilizado para pedir esclarecimentos sobre pontos de uma decisão. O recurso acabou acolhido e levou à revisão do entendimento anterior, com a determinação de que o Estado deverá indenizar o lutador por danos morais. O valor da indenização não foi divulgado.

Recomeço no esporte

A história de Sílvio Pantera ganhou repercussão nacional justamente pela injustiça que interrompeu sua trajetória no esporte. Depois de recuperar a liberdade, o lutador buscou reconstruir a carreira e voltou aos ringues.

Em 2022, cerca de seis meses após conseguir a liberdade definitiva, Pantera retornou ao boxe e venceu Pedro Amorim por pontos em uma competição realizada no Rio de Janeiro. Na ocasião, também recebeu o prêmio de melhor luta da noite.

Ainda naquele ano, o lutador conquistou o cinturão dos pesos-pesados no Rio Open DC Pro 2, após derrotar Angelo Lomboni. A vitória representou mais um capítulo de sua tentativa de reconstruir a vida por meio do esporte.

A trajetória de Pantera também foi retratada em programas de televisão e documentários. Em depoimentos, ele relatou as dificuldades enfrentadas durante os anos de prisão e o impacto da distância dos filhos.

Texto por Pedro Moraes, com a supervisão de Danielle Zuquim.