Publicado em 1 de setembro de 2026 às 20:56
A Justiça de São Paulo devolveu à Polícia Civil um pedido para acessar dados financeiros da empresária Karina Ferreira da Gama, responsável pela produtora Go Up Entertainment, que está ligada ao filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O Judiciário pediu que os investigadores apresentem elementos adicionais que sustentem as suspeitas antes de decidir sobre a medida.>
A investigação apura possíveis irregularidades em um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina. O acordo previa a instalação e manutenção de pontos de internet gratuita em comunidades da capital paulista.>
Durante a apuração, a Polícia Civil levantou a possibilidade de que parte dos recursos tenha sido direcionada para atividades privadas relacionadas à produção de Dark Horse. Os investigadores também apontaram suspeitas de uma possível confusão patrimonial entre as contas do instituto e da produtora.>
Justiça pede elementos além de reportagens>
O pedido policial buscava autorização para acessar relatórios de inteligência financeira elaborados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) relacionados à empresária e à produtora.>
A Vara Estadual das Garantias, porém, solicitou que a Polícia Civil indique quais provas já existentes no inquérito, além de informações divulgadas pela imprensa, sustentam objetivamente as suspeitas.>
A Justiça também questionou quais elementos justificariam a inclusão pessoal de Karina Gama na investigação financeira, e não apenas das empresas relacionadas ao caso.>
A decisão leva em consideração critérios estabelecidos pelo Supremo Tribunal Federal para evitar investigações genéricas, conhecidas como fishing expeditions, quando autoridades buscam provas sem uma suspeita suficientemente delimitada.>
Diferença de R$ 26 milhões>
Segundo a investigação, os serviços efetivamente prestados pelo Instituto Conhecer Brasil teriam correspondido a aproximadamente R$ 43 milhões, enquanto cerca de R$ 69 milhões teriam sido transferidos ao instituto.>
A diferença, estimada em R$ 26 milhões, passou a ser um dos pontos analisados pelos investigadores.>
A suspeita é de que parte desse dinheiro possa ter sido utilizada para financiar atividades privadas relacionadas ao longa-metragem. Até o momento, contudo, a existência de uma irregularidade ainda é objeto de investigação.>
Caso também chegou à Polícia Federal>
A apuração ganhou novas dimensões depois que o ministro Flávio Dino, do STF, autorizou o compartilhamento com a Polícia Federal das provas obtidas pela Polícia Civil paulista.>
A PF também investiga a produtora em uma apuração relacionada à possível utilização irregular de emendas parlamentares. A defesa de Karina, por sua vez, chegou a pedir que a investigação paulista fosse suspensa e transferida para o Supremo, alegando que o caso envolve diretamente o financiamento de Dark Horse e os recursos enviados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.>
O filme se tornou centro de uma controvérsia política após a divulgação de mensagens nas quais o senador Flávio Bolsonaro teria pedido recursos a Vorcaro para concluir a produção. A PF apura a origem e a destinação de parte desses valores.>
Por enquanto, a Justiça ainda não autorizou o acesso aos dados financeiros solicitados pela Polícia Civil. Os investigadores deverão prestar os esclarecimentos pedidos antes de uma nova análise do requerimento.>
Com informações do portal g1>