Líder de esquema de falsos investimentos é preso no Rio após golpe de R$ 37 milhões em idosa

Suspeito foi detido no Aeroporto Santos Dumont durante a Operação Criptoabate, técnica conhecida internacionalmente como "pig butchering" (abate de porcos)

Publicado em 14 de agosto de 2026 às 16:49

Operação Criptoabate, uma técnica conhecida internacionalmente como "pig butchering" (abate de porcos).
Operação Criptoabate, uma técnica conhecida internacionalmente como "pig butchering" (abate de porcos). Crédito: Divulgação/Polícia Civil

A Polícia Civil prendeu, nesta sexta-feira (14), um dos principais suspeitos de integrar um esquema de falsos investimentos que causou um prejuízo de R$ 37 milhões a uma idosa de 70 anos. O homem, dono de uma das instituições financeiras investigadas e morador de Balneário Camboriú (SC), foi detido no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, com apoio da Polícia Federal. A prisão ocorreu no momento em que ele tentava embarcar de volta para o estado catarinense.

A investigação, batizada de Operação Criptoabate, aponta que a organização criminosa utilizava uma técnica conhecida internacionalmente como "pig butchering" (abate de porcos). Nessa modalidade, os criminosos conquistam a confiança da vítima ao longo de meses para convencê-la a investir em plataformas fraudulentas. No caso da aposentada, o processo de convencimento durou seis meses, levando-a a transferir todo o seu patrimônio — incluindo uma herança — para a plataforma falsa TDASX, ignorando inclusive os alertas de seu corretor oficial.

O esquema era altamente sofisticado, contando com sites, saldos virtuais fictícios e falsas comunidades de estudo para dar aparência de legitimidade aos investimentos. Pelo menos 140 vítimas da fraude já foram identificadas em todo o Brasil.

As transações suspeitas movimentadas pelo grupo somam R$ 30 bilhões. De acordo com a polícia, o suspeito preso no Rio de Janeiro movimentou R$ 77 milhões em uma conta vinculada ao seu próprio CPF, sendo que parte desse valor foi depositada logo após o golpe contra a idosa. Em um único dia, uma das empresas ligadas ao esquema chegou a movimentar R$ 295 milhões.

A rede criminosa contava ainda com a colaboração de uma gerente de uma instituição financeira tradicional, que é investigada por facilitar a abertura de contas usadas para pulverizar os valores transferidos pelas vítimas.

Ao todo, a Polícia Civil cumpriu 90 ordens judiciais em três estados. Até o momento, três suspeitos foram presos e sete permanecem foragidos. A orientação das autoridades para evitar cair em golpes semelhantes é desconfiar de promessas de rentabilidade muito acima do mercado, plataformas sem credenciais verificáveis e pedidos de novos depósitos para liberar valores supostamente já investidos.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.