Lula diz que relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro é ‘caso de polícia’

Em visita à Bahia, presidente defendeu que PF investigue repasses de R$ 61 milhões para cinebiografia; caso envolve ainda citações a Eduardo Bolsonaro e contradições de Mário Frias.

Publicado em 14 de maio de 2026 às 17:33

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva Crédito: Ricardo Stuckert - PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta quinta-feira (14), durante visita a uma fábrica da Petrobras em Camaçari (BA), que as negociações entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro representam um "caso de polícia". Ao ser questionado sobre o financiamento de um filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro, Lula enfatizou que a responsabilidade de investigar o tema é das autoridades competentes.

"Eu não vou comentar. É um caso de polícia, não é meu. Eu não sou policial, eu não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia. Tem algum delegado aqui? Não tem. Então, vá na primeira delegacia da Polícia Federal e pergunta como vai ser tratado o caso dele. O meu caso é tratar do povo brasileiro, tratar da Petrobras e tratar do emprego", afirmou o presidente.

De acordo com as informações reveladas, Flávio Bolsonaro teria solicitado recursos e pressionado Vorcaro, dono do Banco Master, por pagamentos que totalizaram R$ 61 milhões para a produção da obra intitulada "Dark Horse". Atualmente, o banqueiro encontra-se preso em Brasília, acusado de chefiar um esquema de fraudes financeiras que pode atingir a cifra de R$ 12 bilhões. A estrutura de financiamento sob suspeita aponta que parte do dinheiro foi transferida para um fundo nos Estados Unidos pertencente a um aliado do deputado Eduardo Bolsonaro.

O caso também gerou divergências públicas no núcleo bolsonarista, uma vez que o deputado Mário Frias contradisse a versão do senador, negando que a produção que ele coordena sobre a vida do ex-presidente tenha recebido recursos de Vorcaro. Em sua defesa, Flávio Bolsonaro confirmou os diálogos com o banqueiro, mas assegurou que se tratam de transações com "dinheiro privado" e sem qualquer irregularidade ou "relação espúria". O senador chegou a defender a instalação de uma CPI para investigar a situação do Banco Master, alegando que o caso vem sendo utilizado politicamente.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.