Lula e Alcolumbre acertam votação do fim da escala 6x1 para depois das eleições

Em reunião mediada por Alexandre de Moraes, presidente e chefe do Senado definem novo calendário legislativo.

Publicado em 6 de agosto de 2026 às 18:23

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Crédito: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, discutiram na última terça-feira (4) a possibilidade de adiar a votação do fim da escala de trabalho 6x1 para depois das eleições de 2026. O encontro, realizado no Palácio do Planalto, foi mediado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e serviu para selar uma aproximação entre os dois mandatários.

A reunião marcou o primeiro diálogo direto entre Lula e Alcolumbre desde que o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias para o STF, episódio que gerou um forte desgaste na relação entre o Executivo e a Casa Alta. Interlocutores relataram que ambos saíram satisfeitos da conversa, sinalizando que a articulação terá continuidade com novos encontros.

O adiamento da pauta sobre a jornada de trabalho já vinha sendo defendido pelo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, que avalia haver dificuldades de tramitação no atual cenário político, influenciado pelo calendário eleitoral. O governo projeta que uma eventual vitória de Lula em 2026 facilitaria a aprovação da proposta no Senado, enquanto uma derrota poderia travar o texto definitivamente, visto que setores da oposição defendem que a mudança não avance.

Apesar do acerto, o adiamento enfrenta resistência dentro da base aliada. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) defende que a pauta avance ainda em 2026, enquanto o ministro Guilherme Boulos (Psol) prega uma votação mais célere. A proposta ganhou força no debate público, mas segue travada por divergências sobre seus impactos econômicos.

O rearranjo do calendário legislativo ocorre em um momento estratégico para Davi Alcolumbre, que articula sua permanência no comando do Senado para além de fevereiro de 2027. Além da escala 6x1, o governo definiu outras prioridades para o segundo semestre, como a MP da "taxa das blusinhas", que perde a validade em setembro, o marco legal dos minerais críticos e a PEC da Segurança Pública. Entre esses temas, o projeto sobre minerais críticos é o que reúne maior consenso no Congresso no momento.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.