Maioria dos homens acredita ter pênis acima da média, aponta estudo

O estudo, divulgado no periódico científico Journal of Sexual Medicine, mostrou que 63,2% dos participantes consideram que o próprio tamanho está acima do padrão brasileiro.

Publicado em 2 de março de 2026 às 14:53

A referência utilizada pelos pesquisadores foi de aproximadamente 13 centímetros em ereção, medida frequentemente citada na literatura médica como média observada no país.
A referência utilizada pelos pesquisadores foi de aproximadamente 13 centímetros em ereção, medida frequentemente citada na literatura médica como média observada no país. Crédito: Reprodução

Um levantamento feito por pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública revelou um dado curioso sobre a autopercepção masculina: a maioria dos entrevistados acredita ter um pênis maior que a média nacional.

O estudo, divulgado em 17 de fevereiro no periódico científico Journal of Sexual Medicine, mostrou que 63,2% dos participantes consideram que o próprio tamanho está acima do padrão brasileiro. A referência utilizada pelos pesquisadores foi de aproximadamente 13 centímetros em ereção, medida frequentemente citada na literatura médica como média observada no país.

A pesquisa ouviu 106 homens adultos em Salvador (BA). O questionário, aplicado de forma online, abordou temas como autoestima, percepção corporal e função erétil. Para atrair participantes, os pesquisadores espalharam QR codes em locais de grande circulação, como shoppings, estações de metrô e praças.

Enquanto 34% disseram se enxergar dentro da média, apenas 2,8% acreditam ter tamanho inferior ao valor de referência.

Autoimagem, insegurança e impacto psicológico

Além dos números, o estudo acendeu um alerta sobre o peso simbólico que o tema exerce na vida de muitos homens.

Para 26,4% dos entrevistados, o comprimento do pênis é considerado muito importante. Quando o assunto é espessura, a relevância aumenta: 44,3% afirmaram dar grande importância a esse aspecto.

O desejo de mudança também apareceu com força. Cerca de 22,6% já pensaram em aumentar o tamanho do órgão em algum momento da vida. E as inseguranças não ficam apenas no pensamento: 13,2% relataram ansiedade moderada ou intensa relacionada à própria genitália.

O constrangimento também influencia comportamentos. Aproximadamente 21,7% disseram evitar ficar nus em vestiários ou outros ambientes coletivos por vergonha. Em situações íntimas, 6,6% afirmaram sentir desconforto diante de parceiros.

Os pesquisadores identificaram ainda fatores associados à percepção negativa. Índice de massa corporal mais elevado e presença de fimose estiveram ligados a avaliações menos satisfatórias. Por outro lado, homens que estavam em relacionamento e aqueles com maior apreciação corporal tenderam a relatar maior satisfação com a própria genitália.

Para os autores, entender como os homens enxergam o próprio corpo é fundamental para ampliar o debate sobre saúde sexual e autoestima, especialmente em um cenário onde expectativas irreais, muitas vezes reforçadas pela pornografia e por padrões sociais, podem distorcer a percepção da realidade.

Mais do que uma questão de centímetros, o estudo revela que o impacto está, sobretudo, na mente.

Com informações do Metrópoles