Médico do Einstein afirma nas redes sociais que não atende pacientes petistas

Cardiologista publicou ofensas contra apoiadores de Lula e disse ter meios para evitar atendê-los.

Publicado em 24 de outubro de 2026 às 17:30

 - Atualizado há uma hora

Clederson Henry Dina publicou nas suas redes sociais que não atende pacientes petitas.
Clederson Henry Dina publicou nas suas redes sociais que não atende pacientes petitas. Crédito: Reprodução/Redes Sociais

O cardiologista Clederson Henry Dina, apontado como médico do Hospital Israelita Albert Einstein, publicou uma série de mensagens contra apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em seu perfil no Instagram. Em uma das postagens, afirmou que não atende pacientes petistas e usou uma expressão ofensiva para se referir a eles.

“Não atendo petistas vagabundos”, escreveu o médico em um dos stories. Em outra publicação, Clederson afirmou ter “recursos” para recusar esse público, mas não explicou como faria para identificar a posição política dos pacientes. As mensagens foram apagadas antes de completar as 24 horas de exibição na plataforma.

As declarações levantaram questionamentos sobre a conduta profissional do cardiologista. O Código de Ética Médica, instituído pela Resolução nº 2.217/2018 do Conselho Federal de Medicina (CFM), determina que a medicina seja exercida sem discriminação de qualquer natureza.

O artigo 7º do capítulo sobre responsabilidade profissional proíbe o médico de deixar de atender em serviços de urgência e emergência quando essa assistência for sua obrigação, mesmo que exista uma decisão majoritária da categoria nesse sentido.

O código também prevê situações em que o profissional pode deixar de acompanhar um paciente, desde que respeite as condições estabelecidas e não comprometa a continuidade da assistência. Essas possibilidades, no entanto, não representam uma autorização geral para negar atendimento em razão de posicionamentos políticos.

Além da atuação associada ao Einstein, Clederson Henry Dina atendia em uma sala alugada na clínica de David Uip, infectologista e ex-diretor-executivo do Instituto do Coração (Incor). Segundo a assessoria de Uip, o cardiologista utilizava o espaço para consultas, mas não mantinha vínculo empregatício com a clínica.

O médico Clederson Henry Dina, o Hospital Israelita Albert Einstein, o Conselho Federal de Medicina (CFM), o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e a Associação Paulista de Medicina (APM) ainda não se pronunciaram sobre as publicações.