Publicado em 12 de agosto de 2026 às 12:51
Uma gigantesca engrenagem criminosa voltada ao tráfico de esteroides e substâncias adulteradas virou alvo da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) na manhã desta quarta feira (12). A chamada Operação Narciso, deflagrada pela Divisão de Defesa do Consumidor da Corf, cumpriu dezenas de mandados de prisão e de busca e apreensão no DF e em outros oito estados. O grupo investigado mantinha laboratórios clandestinos onde fabricava medicamentos sem qualquer higiene, misturando insumos importados ilicitamente do Paraguai, China e Índia com veneno de uso veterinário e até óleo de cozinha comum. A rede ilegal abastecia academias por todo o país e provocava sérios riscos à vida dos usuários, acumulando históricos de infecções graves, AVCs e até mortes. >
A investigação revelou que o coração da produção funcionava no esquema conhecido como "cozimento", onde os produtos eram preparados sem esterilidade em cozinhas residenciais e depósitos improvisados. Para inflar os lucros, compostos perigosos e escondidos dos rótulos como diuréticos, tarja preta e substâncias para cavalos eram embutidos em termogênicos e injetáveis. O esquema era impulsionado por uma rede que envolvia desde donos de gráficas até veterinários, personal trainers, farmacêuticos e influenciadores digitais patrocinados, encarregados de dar um ar de legitimidade às fórmulas milagrosas vendidas na internet. >
A fartura financeira obtida com a saúde dos consumidores bancava um estilo de vida suntuoso para os chefes do bando. O faturamento faturava milhões e abastecia um arsenal de carros importados, viagens internacionais de alto padrão e moradias em condomínios fechados. Para esconder o dinheiro sujo, a organização aplicava técnicas avançadas de lavagem de capitais: fracionava repasses via Pix para plataformas de apostas esportivas on-line (bets), recorria a doleiros na fronteira com o Paraguai e utilizava empresas de fachada. Por determinação da Justiça, a operação bloqueou R$ 32 milhões das contas dos envolvidos, lacrou mais de 20 estabelecimentos comerciais e tirou do ar dezenas de sites e perfis usados para divulgar os produtos fatais.>