Casos Giovanna e Bernardo: jovens morrem em procedimentos envolvendo o mesmo anestesista, em Belém

Pai de Bernardo, que morreu em 2023, após passar por um procedimento de pleuroscopia, cobra resposta do CRM e pede justiça para as mortes envolvendo o mesmo médico anestesista

Publicado em 12 de agosto de 2026 às 12:55

Casos Giovanna e Bernardo: jovens morrem em procedimentos envolvendo o mesmo anestesista, em Belém
Casos Giovanna e Bernardo: jovens morrem em procedimentos envolvendo o mesmo anestesista, em Belém Crédito: Redes sociais 

A morte de Bernardo Caballero, em agosto de 2023, voltou a ser questionada pela família após a empresária Giovanna Coelho Gomes, de 29 anos, morrer depois de ser submetida a procedimentos estéticos em Belém. O anestesista César Collier, que atuou no caso de Bernardo também participou do procedimento realizado em Giovanna.

Bernardo havia sido internado inicialmente com um quadro de tosse. Segundo o pai, Roberto Caballero, o jovem passou por uma drenagem pulmonar em 29 de julho de 2023. Dias depois, precisou ser submetido a um novo procedimento médico e acabou sendo transferido para outro hospital para a realização de uma pleuroscopia.

De acordo com Roberto, a família não tinha conhecimento de que o filho seria submetido à anestesia geral e posteriormente entubado. O procedimento, segundo ele, teria durado cerca de cinco horas, embora a previsão inicial fosse de aproximadamente 50 minutos.

“Eles mentiram pra família, não sabíamos que o Bernardo seria entubado.”

Bernardo morreu em 10 de agosto de 2023. Após a morte, a família passou a questionar as circunstâncias do atendimento e o laudo produzido pelo Instituto Médico Legal. Roberto afirma que busca a exumação do corpo para tentar obter novas provas.

O caso também foi levado ao Conselho Regional de Medicina (CRM), que, segundo a família, inocentou o cirurgião e o anestesista. Roberto afirma que a decisão considerou a ausência dos profissionais no acompanhamento do paciente, mas não reconheceu outras possíveis irregularidades apontadas pela família.

Caso Giovanna

Três anos depois, a morte de Giovanna Coelho Gomes trouxe novamente o nome do anestesista ao centro das discussões. A empresária morreu no sábado (8), após ser submetida a procedimentos estéticos em Belém.

Segundo familiares, Giovanna apresentou dores e episódios de vômito após as cirurgias e teve piora no quadro. No sábado, perdeu a consciência e foi levada para uma sala de emergência. Ela sofreu três paradas cardíacas, foi reanimada e encaminhada para uma cirurgia de emergência. Durante o procedimento, sofreu uma quarta parada e morreu.

Para Roberto Caballero, os dois casos apresentam semelhanças que precisam ser esclarecidas.

“Estamos assistindo à novela se repetir, porque o caso da Giovana é semelhante ao caso do meu filho e agora o CRM vai ter que se posicionar diante disso.”

O pai de Bernardo também questiona a conduta adotada no caso mais recente.

“O que aconteceu com a Giovanna não era para ter acontecido. Esse médico não aprendeu nada com o que fez com Bernardo.”

Em entrevista ao Roma News, Roberto afirmou que a família tenta avançar com o pedido de exumação do corpo de Bernardo. Segundo ele, uma nova promotora que acompanha o caso já teria se manifestado favoravelmente ao pedido, mas a solicitação ainda aguarda análise da Justiça.

O pai também relatou que diferentes magistrados se declararam impedidos de atuar no processo, o que, segundo ele, mantém o pedido de exumação pendente.

Diante da morte de Giovanna e da participação do mesmo anestesista, o Roma News procurou o Conselho Regional de Medicina do Pará (CRM-PA) e o Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) para saber quais providências poderão ser adotadas e se os órgãos receberam novas denúncias ou pedidos relacionados ao profissional. Aguardamos retorno.