Publicado em 8 de junho de 2026 às 18:46
Nesta segunda-feira (8), o Ministério da Saúde orientou atenção especial às pessoas que receberam a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan nos últimos 21 dias. O alerta foi feito após a suspensão temporária e preventiva da aplicação do imunizante em algumas localidades, enquanto autoridades investigam registros de reações adversas graves.>
Segundo o diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, os primeiros 21 dias após a vacinação são considerados o período mais importante para o acompanhamento de possíveis ocorrências relacionadas ao imunizante. De acordo com ele, após esse intervalo não há indicação de risco associado à vacina e os imunizados passam a contar com os benefícios da proteção oferecida pelo produto.>
Apesar disso, o Ministério da Saúde informou que manterá vigilância ativa por 30 dias para acompanhar notificações e garantir a investigação adequada de qualquer caso suspeito.>
Sintomas que devem ser observados>
As autoridades de saúde orientam que pessoas vacinadas recentemente procurem atendimento médico caso apresentem:>
* Febre>
* Dor abdominal intensa e contínua>
* Vômitos persistentes>
* Tontura>
* Sangramentos>
* Sonolência excessiva>
* Irritabilidade>
* Sinais de desidratação>
* Piora do estado geral>
O que motivou a suspensão>
Também nesta segunda-feira (8), o Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da vacinação com o imunizante do Instituto Butantan após o registro de 42 casos de reações adversas classificadas como severas.>
Entre os casos investigados, três foram considerados mais graves, incluindo duas mortes que seguem sob análise das autoridades sanitárias. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, os registros representam cerca de oito ocorrências para cada 100 mil doses aplicadas.>
A suspensão atinge equipes da Atenção Primária à Saúde e áreas onde a vacina vinha sendo utilizada em campanhas específicas, incluindo os municípios de Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e Botucatu (SP), além da região de Araguaína (TO).>
Casos graves estão sob investigação>
O primeiro caso envolve uma mulher de 39 anos que apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após receber a vacina. Ela desenvolveu um quadro compatível com dengue grave, precisou ser internada em uma UTI e posteriormente recebeu alta hospitalar.>
O segundo caso foi registrado em uma mulher de 48 anos, que apresentou sintomas de dengue grave associados a complicações neurológicas, incluindo meningoencefalite, 19 dias após a vacinação. Ela morreu.>
Já o terceiro caso ocorreu com um homem de 58 anos que desenvolveu febre cinco dias após receber o imunizante. O paciente evoluiu rapidamente para um quadro de dengue grave com choque refratário e também morreu.>
Segundo o Ministério da Saúde, os episódios representam sinais de alerta importantes, mas ainda não permitem concluir que exista relação direta entre a vacina e os desfechos observados.>
Mortes seguem sem relação comprovada com a vacina>
As duas mortes continuam sendo investigadas por especialistas, que analisam exames laboratoriais, histórico clínico e outras informações para determinar se houve ou não ligação entre os óbitos e a vacinação.>
O governo federal reforçou que, até o momento, não existem evidências que permitam atribuir diretamente as mortes ao imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan.>
O que acontece agora>
A partir desta terça-feira (9), a estratégia de vacinação será interrompida temporariamente enquanto os dados de segurança passam por revisão.>
O Ministério da Saúde informou que ampliará o monitoramento na rede hospitalar, especialmente entre pessoas vacinadas nos últimos 21 dias. A recomendação é que qualquer sintoma ou reação adversa seja comunicada imediatamente aos serviços de saúde.>
Segundo Alexandre Padilha, as evidências disponíveis continuam indicando que a vacina oferece proteção contra os quatro sorotipos da dengue. A pasta ressaltou que a suspensão tem caráter preventivo e não significa que a eficácia do imunizante esteja sendo questionada, mas sim que os eventos adversos registrados serão analisados de forma mais aprofundada antes da continuidade da campanha.>