Publicado em 8 de junho de 2026 às 19:37
O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da estratégia de vacinação com a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A decisão foi tomada após a identificação de 42 episódios de reações adversas graves registrados pelo sistema nacional de vigilância pós-vacinação.>
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a medida tem caráter preventivo e foi adotada com base em critérios científicos e de segurança. A suspensão afeta exclusivamente o imunizante desenvolvido pelo Butantan, que vinha sendo aplicado em profissionais da atenção primária à saúde e em projetos-piloto realizados em municípios selecionados do país.>
“Nós estamos tomando uma decisão hoje de descontinuar temporariamente a atual estratégia de uso da vacina do Butantan contra a dengue no país”, afirmou o ministro durante coletiva de imprensa.>
A interrupção alcança a vacinação de profissionais da saúde em todo o território nacional e também as ações realizadas nos municípios de Botucatu (SP), Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e na região do Araguaia, no Tocantins. De acordo com o Ministério da Saúde, aproximadamente 500 mil doses já haviam sido aplicadas quando os primeiros casos começaram a ser identificados.>
Durante o anúncio, Padilha explicou que alguns dos eventos registrados não haviam sido observados nos estudos clínicos conduzidos antes da aprovação do imunizante.>
“Neste meio milhão de doses, foram identificados 42 episódios de reações mais severas temporalmente associadas ao momento em que a vacina foi aplicada. Algumas dessas reações foram absolutamente inesperadas porque não haviam sido observadas nos estudos clínicos”, declarou.>
Casos graves e óbitos seguem sob investigação>
Entre os 42 episódios registrados, três foram classificados como graves, incluindo dois óbitos. O ministro ressaltou que, até o momento, não há evidências que comprovem uma relação direta entre a vacinação e as ocorrências.>
“Não existem informações suficientes para estabelecer uma causalidade entre a vacina e esses óbitos. Também não existem, até este momento, dados suficientes para estabelecer uma causalidade da vacina com a ocorrência desses casos graves”, afirmou.>
Apesar da baixa incidência dos eventos, cerca de oito casos graves para cada 100 mil doses aplicadas, o governo decidiu interromper temporariamente a vacinação até a conclusão das investigações.>
Doses serão mantidas armazenadas>
O Ministério da Saúde informou que as vacinas já distribuídas não serão descartadas. A orientação é que os imunizantes permaneçam armazenados nas redes de frio de estados e municípios até que a análise dos casos seja concluída.>
“Não é o momento de descartar essas vacinas, mas de interromper temporariamente sua utilização”, explicou Padilha.>
A pasta também anunciou que realizará reuniões com gestores estaduais e municipais para orientar a suspensão da aplicação das doses e detalhar os procedimentos de monitoramento.>
Vacina do SUS continua sendo aplicada normalmente>
O governo federal reforçou que a suspensão não afeta a vacina contra a dengue atualmente oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.>
Segundo o diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, o imunizante utilizado na rede pública para essa faixa etária não faz parte da investigação anunciada nesta segunda-feira.>
“Nós também temos outra vacina no Sistema Único de Saúde para crianças de 10 a adolescentes de 14 anos, que não está incluída aqui nessa análise”, destacou.>
Pessoas vacinadas seguem protegidas>
O Ministério da Saúde orientou que pessoas que já receberam a vacina do Butantan não precisam se preocupar. De acordo com Padilha, os estudos apontam que o imunizante oferece proteção contra os quatro sorotipos da dengue.>
“Os dados de eficácia mostram que a vacina protege contra os quatro tipos de dengue. Reforçamos para as pessoas que tomaram a vacina que elas estão protegidas”, disse.>
A pasta informou ainda que fará um acompanhamento especial dos vacinados nos últimos 21 dias para identificar possíveis sinais de alerta e monitorar eventuais reações adversas.>
Investigações serão aprofundadas>
A suspensão temporária permitirá que o Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Butantan aprofundem a análise dos casos registrados.>
As investigações deverão avaliar os episódios de reações graves, possíveis fatores de risco em comum entre os pacientes e aspectos relacionados ao armazenamento, transporte e aplicação das doses.>
Segundo Padilha, a recomendação foi aprovada por consenso pelo Comitê Nacional de Farmacovigilância e apresentada ao Comitê Técnico Assessor em Imunizações (CTAI).>
Butantan defende segurança da vacina>
Em nota, o Instituto Butantan afirmou que seguirá colaborando com o Ministério da Saúde e a Anvisa para esclarecer os casos registrados e reforçou seu compromisso com a segurança da população.>
A instituição destacou que os eventos graves representam uma parcela reduzida do total de vacinados e ressaltou que estudos publicados em revistas científicas internacionais apontaram eficácia global de 79,6% contra a dengue e de 89% contra formas graves da doença.>
O instituto também informou que os resultados do acompanhamento realizado em municípios onde houve vacinação em massa foram considerados positivos, sem registro de eventos adversos relevantes na população.>
“O Instituto Butantan reafirma seu compromisso de entregar produtos seguros e eficazes para o enfrentamento dos problemas de saúde pública brasileira pelo SUS”, afirmou a instituição.>
Dengue segue como desafio de saúde pública>
Durante a coletiva, o ministro Alexandre Padilha informou que o Brasil registrou em 2025 a maior cobertura vacinal dos últimos nove anos, com índices superiores a 90%.>
Ele também destacou que o país apresentou redução de 97% nos óbitos e de 92% nos casos de dengue nos primeiros meses de 2026 em comparação com o mesmo período de 2024.>
Apesar da melhora nos indicadores, o Ministério da Saúde reforçou que a dengue continua sendo um dos principais desafios de saúde pública do país e que a vacinação seguirá sendo uma ferramenta estratégica no combate à doença após a conclusão das investigações.>
Com informações do portal CNN>