Publicado em 14 de setembro de 2026 às 14:42
O Ministério da Saúde recomendou a ampliação da vacinação contra o HPV para crianças vítimas de violência sexual a partir dos 2 anos de idade. Anteriormente, a indicação específica para esse público atendia pessoas dos 9 aos 45 anos. A atualização orienta-se pelo crescimento acentuado dos registros de abuso infantil.>
Segundo dados do Atlas da Violência 2026 (Ipea) citados pelo Ministério, as notificações de violência sexual contra crianças de 0 a 4 anos saltaram de 1.671 em 2014 para 7.845 em 2024. Na faixa entre 5 e 14 anos, os registros subiram de 6.594 para 29.135 no mesmo período, concentrando 66% das notificações analisadas no país.>
O imunizante aplicado no Sistema Único de Saúde (SUS) é a vacina quadrivalente, que protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do papilomavírus humano. A aplicação em razão do abuso não funciona como profilaxia pós-exposição para eliminar uma infecção eventualmente contraída na agressão, mas sim como profilaxia para infecções futuras e contra tipos do vírus aos quais a criança ainda não foi exposta.>
Como os estudos sobre a duração da imunidade em menores de 9 anos ainda estão sob acompanhamento científico, a dose emergencial não substitui o esquema básico de vacinação. Ao atingir a idade prevista no calendário de rotina (9 anos), a criança deverá receber a imunização padrão normalmente. Caso o menor já tivesse sido vacinado previamente antes do abuso, não há indicação automática de nova aplicação.>
As aplicações serão realizadas nas salas de vacinação do SUS mediante avaliação médica ou do serviço de saúde especializado responsável pelo acolhimento da vítima. A criança poderá ser encaminhada por unidades de atenção primária, hospitais ou serviços de referência em violência sexual. O protocolo exige o registro do atendimento, notificação do caso, consentimento do responsável legal e acompanhamento clínico da criança.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.>