Ministro afastado do STJ quebra o silêncio e depõe hoje sobre acusações de abuso sexual

Marco Buzzi, que teve salário reduzido de R$ 100 mil para R$ 35 mil após os escândalos, tenta provar inocência diante de comissão que já ouviu 20 pessoas.

Publicado em 15 de junho de 2026 às 11:57

Ministro afastado do STJ quebra o silêncio e depõe hoje sobre acusações de abuso sexual
Ministro afastado do STJ quebra o silêncio e depõe hoje sobre acusações de abuso sexual Crédito: Reprodução/STJ

O ministro afastado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Marco Buzzi, fica frente a frente com os investigadores nesta segunda-feira (15), por volta das 17h. Ele vai prestar depoimento à comissão interna que apura denúncias de importunação sexual contra ele. O caso, que corre com o apoio de uma desembargadora federal na coleta de provas, já resultou no afastamento do magistrado de suas funções e em um corte drástico nos seus rendimentos mensais.

Até o momento, a investigação interna já colheu 20 depoimentos, incluindo os relatos das duas mulheres que acusam o ministro, além de pessoas ligadas à acusação e à defesa. O cerco contra Buzzi se estende para além do STJ, pois a conduta dele também é alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) e de um processo disciplinar no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A crise começou a ganhar repercussão em janeiro deste ano, quando uma jovem de 18 anos, filha de amigos próximos do magistrado de 68 anos, relatou ter sido assediada por ele durante as férias em Balneário Camboriú, Santa Catarina. De acordo com o depoimento da jovem, o ministro teria tentado agarrá-la três vezes dentro do mar, na Praia do Estaleiro, o que a deixou em estado de desespero. Pouco tempo depois do primeiro caso vir à tona, uma servidora do próprio tribunal também decidiu denunciar o ministro por crime sexual cometido no ambiente de trabalho.

Com o avanço das investigações e o afastamento decretado em fevereiro, o impacto financeiro foi imediato. Buzzi perdeu gratificações e benefícios extras, os chamados penduricalhos, fazendo com que seus ganhos líquidos desabassem de uma média que superava os R$ 100 mil nos meses anteriores para R$ 35 mil no contracheque de abril.

Os advogados de Marco Buzzi negam veementemente todas as acusações e afirmam que o processo vai demonstrar a inocência do magistrado. Em nota oficial, a defesa alega possuir laudos médicos, perícias técnicas e imagens de câmeras de segurança que provam que o episódio na praia de Santa Catarina nunca aconteceu. Sobre a denúncia da funcionária, os advogados sustentam que a estrutura do gabinete impedia que os dois ficassem sozinhos nas condições narradas, e que as testemunhas ouvidas afirmaram não ter presenciado comportamentos inadequados.

A defesa declarou ainda que respeita a decisão das denunciantes de não prestar depoimento durante algumas audiências recentes, mas argumentou que a ausência desses relatos limitou o esclarecimento dos fatos no decorrer da investigação. Os defensores afirmaram confiar na comissão do CNJ e esperam que a conclusão do processo reconheça a inocência do ministro. Enquanto isso, o depoimento de hoje no STJ será crucial para subsidiar o posicionamento final dos ministros após o término das investigações internas.