Ministro do Turismo repassou três empresas a laranja na PB; empreendimentos devem mais de R$ 800 mil à União

As informações foram divulgadas na coluna Tássio Lorran, do Portal Metrópoles.

Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 17:15

Gustavo Feliciano (União-PB), assumiu o Turismo em dezembro de 2025. 
Gustavo Feliciano (União-PB), assumiu o Turismo em dezembro de 2025.  Crédito: Ministério do Turismo

O novo ministro do Turismo, Gustavo Feliciano (União-PB), transferiu três empresas das quais era dono para uma laranja e ex-assessora parlamentar do pai dele, o deputado federal Damião Feliciano (União-PB). As informações são da coluna Tássio Lorran, do Portal Metrópoles.

Segundo a reportagem, a laranja seria Soraya Rouse Santos Araújo, de 43 anos, que trabalhou para Damião até a última quinta-feira (22/1). Como assessora parlamentar a mulher ganhava pouco mais de dois salários mínimos por mês (R$ 3.529,86), mora em uma casa simples em João Pessoa e mantém dificuldades para pagar dívidas como o próprio IPTU da residência, além do financiamento de um carro no valor R$ 42.161, e R$ 1.569 em roupas compradas em uma loja na Paraíba.

Mesmo assim, do dia para noite, Soraya tornou-se sócia-administradora de três empresas – com capital social de R$ 400 mil – que pertenciam a Gustavo Feliciano, incluindo uma instituição de ensino e duas construtoras que devem mais de R$ 500 mil à União.

Documentos obtidos pela coluna mostram que Gustavo Feliciano declarou à Junta Comercial da Paraíba (Jucep-PB) ter vendido a Sunset Business e a GCF Construções para Soraya Rouse por R$ 100 mil cada. Esse montante corresponde ao pagamento de todas as cotas desses empreendimentos ligados ao ramo da construção.

As transferências da União de Ensino Superior da Paraiba Ltda (UniPB), da Sunset Business e da GCF Construções e Empreendimentos Imobiliários Ltda ocorreram sucessivamente em dezembro passado, mês em que Gustavo Feliciano se tornou ministro do Turismo.

Ainda segundo a reportagem, ambas as empresas, localizadas na Paraíba, seriam de fachada e continuam ligadas ao ministro do Turismo. Os endereços registrados na Receita Federal não apontam para o funcionamento de qualquer tipo de companhia, além disso nenhuma delas possui site ou redes sociais próprias, e os e-mails no cadastro são pessoais de Gustavo Feliciano, mesmo após a suposta “venda”.

Um dos documentos registra o repasse das 200 mil cotas da UniPB, porém, não deixa claro se Soraya Rouse desembolsou o valor ou se Gustavo Feliciano apenas lhe transferiu a empresa.

“O sócio cedente declara ter recebido todos os seus direitos e haveres nada tendo a reclamar no futuro seja a que título for”, diz o trecho da certidão.

A instituição de ensino que pertencia ao ministro, a UniPB, também deve mais de R$ 333,9 mil à União, segundo site da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), conforme apresenta o jornal O Globo. Assim como as duas supostas empresas de fachada, a UniPB não dispõe de site ou de rede social no ar, e a suposta sede se localiza numa simples casa.

A coluna informou que Soraya Rouse, Damião, Renato e Gustavo Feliciano não se manifestaram até a publicação da reportagem. O Ministério do Turismo também não respondeu.