Publicado em 18 de fevereiro de 2026 às 14:16
Nesta terça-feira (17), em Brasília, a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de autorizar uma operação da Polícia Federal para investigar acessos e possíveis vazamentos de dados de ministros e familiares pela Receita Federal provocou incômodo entre integrantes da própria Corte e ampliou o clima de tensão interna.>
Mesmo ministros considerados próximos a Moraes demonstraram desconforto com a condução da operação, principalmente pela ausência de consulta prévia aos colegas. Parte dos magistrados avalia que a investigação não deveria ter sido aberta de ofício e que a representação deveria ter sido encaminhada ao presidente do STF, Edson Fachin, que estava de férias e sendo substituído por Moraes no período.>
Entre integrantes do Supremo, há receio de que a postura firme adotada pelo ministro no caso contribua para agravar a crise de credibilidade enfrentada pela Corte. A avaliação é que, embora eventuais crimes devam ser investigados e punidos, a forma como a operação foi autorizada pode transmitir a percepção de que o tribunal estaria adotando medidas para proteger seus próprios membros.>
Outro ponto de preocupação é a falta de informações detalhadas sobre o alcance das irregularidades, o que aumentou o clima de desconfiança entre os ministros. As críticas também se estendem ao fato de a apuração estar vinculada ao inquérito das fake news, aberto em 2019 e alvo frequente de questionamentos dentro do próprio STF por não ter prazo definido para conclusão.>
A operação realizada pela Polícia Federal teve como alvo servidores da Receita Federal suspeitos de acessar e vazar dados sigilosos de autoridades, incluindo informações da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. A investigação foi solicitada pela Procuradoria-Geral da República, que busca esclarecer se as consultas ilegais tiveram motivação política ou financeira.>