Missionário americano é preso após espancar o filho de três anos por falta de 'bom dia' no RS

Pai confessou o crime e teve a prisão preventiva decretada pela Justiça.

Publicado em 7 de julho de 2026 às 08:28

Missionário americano é preso após espancar o filho de três anos por falta de 'bom dia' no RS
Missionário americano é preso após espancar o filho de três anos por falta de 'bom dia' no RS Crédito: Reprodução/Redes sociais

Uma discussão banal motivada por um comportamento infantil terminou em tragédia familiar na Região Metropolitana de Porto Alegre. Um missionário religioso de 33 anos, nascido nos Estados Unidos, foi preso preventivamente nesta segunda-feira (6) após confessar ter espancado violentamente o próprio filho, de apenas três anos. O crime ocorreu na manhã de domingo (5), na residência da família, localizada na zona rural de Águas Claras, em Viamão. O motivo alegado pelo pai chocou as autoridades: a criança teria se recusado a lhe dar "bom dia".

O menino sofreu lesões gravíssimas após receber socos no peito e no abdômen, além de ter a cabeça golpeada contra o chão pelo próprio pai. A mãe, que estava em outro cômodo e não presenciou o ataque, correu para ajudar quando o marido levou o filho ferido até ela. O casal levou o garoto ao Hospital de Viamão, mas a gravidade do quadro exigiu a transferência imediata para a UTI pediátrica do Hospital de Pronto Socorro (HPS), na capital, onde o menor segue internado. Desconfiada das marcas pelo corpo da vítima, a equipe médica chamou a Brigada Militar, que prendeu o norte-americano em flagrante ainda no hospital.

A gravidade do caso fez com que a Polícia Civil direcionasse as investigações para o crime de tentativa de homicídio duplamente qualificado, apontando como qualificadoras o motivo fútil e o fato de a vítima ser menor de 14 anos.

A delegada Luana Tamiozzo Medeiros, responsável pelo caso na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), revelou que a família vive no Brasil há nove anos e se mudou para Viamão há seis meses. O casal tem outros filhos, todos nascidos em solo brasileiro. Diante dos relatos da mãe sobre o histórico agressivo do marido, a polícia acionou medidas protetivas baseadas na Lei Henry Borel para os outros irmãos e solicitou exames periciais para descobrir se eles também sofriam maus-tratos na rotina doméstica.

Enquanto a mãe acompanha o tratamento do filho internado no HPS, os desdobramentos legais avançam. A Polícia Federal confirmou que o agressor está com a situação migratória regularizada no Brasil. Agora, a Polícia Civil gaúcha trabalha em parceria com forças de segurança de outros estados onde a família residiu para mapear se existem denúncias anteriores de violência ou histórico de intervenção do Conselho Tutelar contra o suspeito.