Moro diz que Lula foi omisso e que Mendonça não teve alternativa ao afastar diretor da PF

Senador e candidato ao governo do Paraná classificou como “acertada e corajosa” a decisão do ministro do STF

Publicado em 8 de setembro de 2026 às 17:11

Senador e candidato ao governo do Paraná classificou como “acertada e corajosa” a decisão do ministro do STF
Senador e candidato ao governo do Paraná classificou como “acertada e corajosa” a decisão do ministro do STF Crédito: Reprodução 

Nesta terça-feira (8), o senador e candidato ao governo do Paraná pelo PL, Sergio Moro, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi “omisso” diante da crise envolvendo a Polícia Federal e que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), “não teve alternativa” ao determinar o afastamento do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.

“Lula permaneceu omisso. Lula tem feito discursos, falado em platitudes, mas não tem tomado providências em relação ao que acontece na sua própria administração. Então, vejo que o ministro André Mendonça não teve alternativa, senão determinar esse afastamento cautelar”, declarou.

Moro afirmou que já defendia, desde a semana passada, o afastamento de Andrei Rodrigues. A posição do senador está relacionada aos relatórios de inteligência considerados apócrifos, por não terem autoria conhecida, que detalhavam ações do ministro André Mendonça e foram utilizados pelo ministro Alexandre de Moraes para fazer acusações contra o colega de Corte.

O senador, que foi ministro da Justiça e Segurança Pública durante o governo de Jair Bolsonaro e comandou a área responsável pela Polícia Federal, afirmou que, apesar do período eleitoral, as instituições precisam ser preservadas.

“Nós temos uma eleição em andamento, isso é verdade, mas precisamos preservar nossas instituições republicanas. Então ele fez acertado e tomou uma decisão muito corajosa. Tem todo o meu apoio”, afirmou.

Moro defende apuração contra Moraes

Moro também comentou o pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes que assinou no Senado. Segundo o senador, a abertura do processo permitiria que o ministro apresentasse sua defesa e que os fatos fossem devidamente apurados.

“Assinei o pedido de impeachment contra o ministro Alexandre na semana passada. Claro que numa normalidade ninguém deseja impeachment ou gerar essa turbulência institucional, mas os fatos precisam ser apurados até para o ministro ter o seu direito de defesa”, declarou.

Mendonça afasta diretores da PF

Também nesta terça-feira (8), André Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência Policial da PF, Leandro Almada da Costa.

Na decisão, o ministro afirmou que a medida busca preservar as garantias funcionais da magistratura e garantir condições para que ministros do STF, o advogado-geral da União e servidores da própria Polícia Federal exerçam suas funções sem o que classificou como “constrangimentos ilegais”.

Mendonça também citou a necessidade de preservar a segurança e a integridade dos envolvidos e garantir condições para a apuração relacionada à produção dos materiais de inteligência.

Além dos afastamentos, o ministro determinou que a Corregedoria da Polícia Federal instaure procedimentos de investigação nas áreas penal e administrativo-disciplinar para apurar as circunstâncias envolvendo a produção de relatórios de inteligência sobre autoridades.