MPF investiga leilões de objetos nazistas em lojas físicas e plataformas digitais no Brasil

Estimular apologia ao nazismo, contribuir para a banalização do discurso de ódio e violar a Lei do Racismo é crime, além de ferir, tratados internacionais dos quais o país é signatário

Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 07:56

(O órgão protocolou o pedido de inquérito civil e criminal, o CNDH defende que o comércio pode configurar e estimular apologia ao nazismo.)
(O órgão protocolou o pedido de inquérito civil e criminal, o CNDH defende que o comércio pode configurar e estimular apologia ao nazismo.) Crédito: Ascom PF

O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) acionou o Ministério Público Federal (MPF) para investigar a venda, por meio de leilões, de objetos nazistas no Brasil, em lojas físicas e plataformas digitais.

O órgão protocolou o pedido de inquérito civil e criminal, o CNDH defende que o comércio pode configurar e estimular apologia ao nazismo, contribuir para a banalização do discurso de ódio e violar a Lei do Racismo, além de ferir, tratados internacionais dos quais o país é signatário.

Na representação, o CNDH alerta para a circulação desses objetos sem fiscalização. A imprensa brasileira mostrou por meio de reportagens, que leiloeiros afirmam encaminhar catálogos ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), usando o nome do órgão para dar mais crédito ao negócio.

Por meio de comunicado oficial, o Iphan esclareceu que “não autoriza nem aprova leilões, limitando-se ao cadastro de negociantes, sem competência para fiscalizar ou vetar o conteúdo dos itens ofertados”.

A representação, feita pela presidente do CNDH, Ivana Leal e pelos advogados Maria Fernanda Cunha e Carlos Nicodemos, argumenta que “esse vácuo cria um ambiente sem controle efetivo, favorecendo a normalização de símbolos nazistas e dificultando a responsabilização dos envolvidos”, defende o documento.

O MPF vai apurar toda a cadeia envolvida, como: origem dos itens, vendedores, compradores, plataformas, fluxos financeiros e possíveis vínculos com grupos extremistas.

Com informações de portal O Globo