Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 08:25
A Justiça Federal concedeu liberdade ao sojeiro Debs Antônio Rosa, condenado em primeira instância como mandante do assassinato de um trabalhador sem-terra e investigado pela Polícia Federal por um esquema de grilagem de terras públicas no Pará. A decisão foi tomada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) e também beneficiou outros seis investigados no mesmo inquérito.>
A desembargadora federal Solange Salgado da Silva acolheu pedidos das defesas e determinou a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares. Entre as obrigações impostas estão o comparecimento periódico ao fórum, a proibição de deixar a comarca e o uso de tornozeleira eletrônica. Segundo a defesa, o argumento central foi o excesso de prazo da prisão preventiva, já que os investigados estavam presos havia cerca de sete meses.>
Debs havia sido preso durante a Operação Imperium Fictum, deflagrada pela Polícia Federal em maio de 2025, que apurou um esquema de falsificação de registros e processos administrativos para a apropriação ilegal de terras da União. A investigação aponta que o grupo atuava junto ao Incra e a cartórios para criar imóveis rurais fictícios, utilizados em financiamentos bancários e transações comerciais.>
De acordo com a Polícia Federal, o esquema envolvia corrupção de servidores públicos, conluio com ao menos cinco cartórios e prejuízo estimado em mais de R$ 600 milhões. Documentos indicam que o patrimônio acumulado pelo grupo pode ultrapassar R$ 1 bilhão, com registros forjados em municípios como Anapu, Senador José Porfírio e Aveiro, no Pará, muitos deles vinculados à Gleba Federal Belo Monte.>
Além das suspeitas de grilagem, Debs Antônio Rosa foi condenado pelo Tribunal do Júri como mandante do assassinato de José Nunes da Cruz e Silva, conhecido como Zé da Lapada, morto em 2015 em Anapu. Ele recebeu pena de dez anos de prisão em regime fechado, mas passou a responder em liberdade após obter alvará de soltura antes de ser preso novamente no âmbito da investigação federal.>
Até a nova prisão, o sojeiro manteve atuação pública no agronegócio e participou de eventos no Pará. O inquérito da Polícia Federal já foi concluído, a denúncia foi recebida pela Justiça, e o processo segue para as próximas etapas, como audiências e interrogatórios.>