MPT registra 140 denúncias de assédio eleitoral um dia após votação

Relatos envolvem possíveis pressões sobre trabalhadores por suas escolhas políticas e surgem em meio a manifestações nas redes sociais que incentivam demissões de eleitores de Lula.

Publicado em 26 de outubro de 2026 às 22:36

Ministério Público do Trabalho de Minas Gerais consegue liminar contra assédio eleitoral.
Ministério Público do Trabalho de Minas Gerais consegue liminar contra assédio eleitoral. Crédito: Divulgação / MPT

O Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu 140 denúncias de assédio eleitoral nesta segunda-feira (26), um dia após o segundo turno das eleições de 2026. Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles, o volume representa um recorde de relatos recebidos em um único dia pelo órgão.

O assédio eleitoral ocorre quando alguém utiliza uma posição de poder para constranger, ameaçar ou tentar influenciar a escolha política de trabalhadores. O aumento das denúncias acontece em meio à circulação de publicações nas redes sociais que incentivam empresários a demitir funcionários que votaram no presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O procurador Igor Gonçalves, coordenador nacional de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho, alertou que as práticas podem continuar mesmo após o encerramento da votação. Segundo ele, empregadores que realizarem dispensas discriminatórias e pessoas que incentivarem esse tipo de conduta poderão ser responsabilizados.

O MPT reforçou que o voto é livre e secreto e que ninguém pode ser punido pela escolha eleitoral. Trabalhadores que sofreram ou presenciaram situações de pressão podem registrar denúncias pelo site do órgão, de forma remota e sigilosa. O Ministério recomenda guardar provas, como capturas de tela, áudios, mensagens e informações de testemunhas, para auxiliar na apuração.