Mulher acusada de se passar por menina de 12 anos será julgada, em SC

Amanda Maria Souza de Oliveira, de 38 anos, é acusada de usar identidade falsa para conviver com uma família por cerca de 14 meses em Joinville

Publicado em 14 de agosto de 2026 às 16:25

Amanda Maria Souza de Oliveira, de 38 anos, é acusada de usar identidade falsa para conviver com uma família por cerca de 14 meses em Joinville
Amanda Maria Souza de Oliveira, de 38 anos, é acusada de usar identidade falsa para conviver com uma família por cerca de 14 meses em Joinville Crédito: Redes Sociais

Nesta sexta-feira (14), a Justiça de Santa Catarina confirmou que a audiência de instrução e julgamento de Amanda Maria Souza de Oliveira, de 38 anos, está marcada para 19 de agosto, em Joinville, no nordeste do estado. Ela é acusada de se passar por uma adolescente de 12 anos e responde a um processo por suspeita de estelionato e falsidade ideológica.

Amanda foi presa em 2 de junho, depois de passar aproximadamente 14 meses convivendo com uma família de Pirabeiraba, distrito de Joinville, usando o nome falso de “Gabriele”. Após a prisão, a Justiça manteve a detenção preventiva durante a audiência de custódia.

A audiência de instrução e julgamento é uma etapa do processo em que testemunhas podem ser ouvidas e outras provas são apresentadas antes de a Justiça decidir os próximos passos do caso.

A defesa de Amanda, formada pelos advogados Lúcio Sousa e Sarita de Paiva, afirmou que pretende apresentar elementos que, segundo os profissionais, demonstrariam “as fragilidades da acusação” e sustentariam a versão apresentada pela acusada.

Amanda também passou por exames psiquiátricos. Os resultados não foram divulgados porque o processo tramita sob sigilo judicial.

Segundo a investigação da Polícia Civil de Santa Catarina, Amanda utilizava o nome “Gabriele” e outras identidades em diferentes situações para se aproximar de famílias e instituições religiosas.

De acordo com os investigadores, ela afirmava ter fugido de casa e relatava supostos episódios de abuso ou exploração sexual. A estratégia teria sido utilizada para conseguir acolhimento e permanecer próxima das famílias.

Para sustentar a identidade de uma adolescente, Amanda teria adotado comportamentos considerados infantis e afirmado que fazia uso de hormônios. A aparência adulta seria um dos pontos que precisavam ser justificados durante o período em que permanecia com as pessoas que a acolhiam.

A investigação também apontou que o caso de Joinville pode não ter sido isolado. A Polícia Civil identificou registros de ocorrências com características semelhantes atribuídas à mulher em outros estados, como Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Goiás e Ceará.

Esses outros episódios ainda precisam ser analisados individualmente pela Justiça. Amanda tem direito à presunção de inocência até que haja uma eventual condenação definitiva.

A prisão de Amanda aconteceu depois que a Polícia Civil passou a investigar a permanência dela com a família de Pirabeiraba. Segundo a apuração, ela teria conseguido se inserir na rotina familiar ao se apresentar como uma menina de 12 anos.

O caso chamou atenção pelo tempo de convivência, de aproximadamente 14 meses, e pela forma como a identidade falsa teria sido mantida durante esse período.

A audiência marcada para 19 de agosto deverá reunir depoimentos de testemunhas e outros elementos relacionados à investigação. Como o processo tramita em segredo de Justiça, detalhes das provas e dos exames realizados pela acusada não foram divulgados.