Nelson Wilians vira alvo do MP por venda de R$ 3,8 bilhões em créditos falsos

Ação conjunta do Ministério Público e do Fisco paulista mira esquema milionário de redução artificial de impostos que causou prejuízo de R$ 3,8 bilhões aos cofres públicos.

Publicado em 15 de julho de 2026 às 09:52

Nelson Wilians vira alvo do MP por venda de R$ 3,8 bilhões em créditos falsos
Nelson Wilians vira alvo do MP por venda de R$ 3,8 bilhões em créditos falsos Crédito: Reprodução/Redes sociais

O mercado de alta advocacia e o setor empresarial foram sacudidos nesta quarta-feira (15) com a deflagração da Operação Distrato. A ofensiva, coordenada pelo Ministério Público de São Paulo com apoio da Secretaria da Fazenda e Planejamento, investiga uma engrenagem financeira sofisticada que vendia créditos falsos de ICMS para centenas de empresas. O alvo central dos mandados de busca e apreensão foi o grupo econômico liderado por Nelson Wilians, fundador de um dos maiores e mais influentes escritórios jurídicos da América Latina, além de sua suposta parceira de negócios, a advogada Mayra de Paula.

O golpe funcionava de maneira sedutora para o empresariado, pois consultorias especializadas ofereciam pacotes com promessas de um alívio fiscal milagroso. A proposta consistia em reduzir de forma expressiva o pagamento de tributos estaduais por meio da aquisição de créditos de ICMS. No entanto, o Fisco paulista descobriu que esses créditos simplesmente não existiam. Para viabilizar a fraude, o grupo utilizava uma rede de empresas de fachada para simular transações comerciais e gerar papéis sem nenhum lastro real.

O impacto dessa contabilidade criativa gerou consequências pesadas, acumulando um montante sonegado que supera a marca de R$ 3,8 bilhões. A gravidade e a larga escala do esquema levaram a Secretaria da Fazenda a realizar verificações fiscais rigorosas, culminando na lavratura de autos de infração contra 752 empresas envolvidas na fraude.

Para desarticular essa rede de empresas fictícias que simulava as operações, a força-tarefa executou diversos mandados de busca e apreensão, tendo como alvo o escritório do grupo ligado a Nelson Wilians e endereços associados a Mayra de Paula na cidade de Londrina, no Paraná.

A presença de Nelson Wilians no foco da investigação eleva a repercussão do caso, uma vez que ele é uma das figuras mais conhecidas do universo jurídico nacional, famoso por comandar uma estrutura gigante que atende grandes marcas do país. De acordo com as investigações do Ministério Público, Mayra de Paula atuava como sócia operacional de Wilians nas transações que deram origem às supostas fraudes tributárias.

O Ministério Público paulista reforçou que o objetivo principal da Operação Distrato é combater a concorrência desleal e garantir que empresas cumpridoras da lei não sejam prejudicadas por práticas ilícitas de terceiros. Até o momento, a defesa dos advogados Nelson Wilians e Mayra de Paula não se manifestou publicamente sobre o teor das investigações ou sobre as buscas realizadas em seus endereços, permanecendo o espaço aberto para futuros esclarecimentos.