Notas de R$ 500 mil ligam Flávio Bolsonaro ao Caso Master

Documentos emitidos e posteriormente cancelados por escritório do senador levantam questionamentos sobre operações relacionadas ao caso.

Publicado em 22 de julho de 2026 às 22:48

(O senador Flávio Bolsonaro)
(O senador Flávio Bolsonaro) Crédito: Foto: Reprodução/Youtube/Flávio Bolsonaro

O escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) emitiu três notas fiscais no valor de R$ 500 mil cada em um intervalo de apenas três dias. Os documentos eram para prestação de “assessoria jurídica” a empresas ligadas a um empresário investigado no âmbito do Caso Master. Duas das notas foram posteriormente canceladas.

As informações foram divulgadas pelo portal Metrópoles e confirmadas pela CNN com base em dados da Receita Federal.

Segundo os registros, em 7 de abril de 2025, o escritório emitiu duas notas fiscais de R$ 500 mil cada para a Copenhagen Assessoria e Consultoria S.A., empresa investigada por supostas ligações com o Caso Master. Ambas as notas foram canceladas.

Dois dias depois, em 9 de abril, uma terceira nota no mesmo valor foi emitida para a Contábil Correa. Esta nota não foi cancelada.

As duas empresas tiveram, em momentos diferentes, o mesmo administrador: Rogério Lourenço Novo. Outro nome envolvido é o de Artur Figueiredo, que era sócio majoritário da Copenhagen na época e também diretor financeiro da Trustee DTVM, principal administradora dos fundos do Master Asset Management, braço de gestão do grupo Banco Master, de acordo com relatórios da Polícia Federal.

Figueiredo deixou a Copenhagen em julho de 2025, quando Rogério Lourenço assumiu o comando. O e-mail de administração da Copenhagen, usado nas notas emitidas por Flávio, estava vinculado à Trustee DTVM.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio Bolsonaro negou qualquer irregularidade. Ele afirmou que os R$ 500 mil foram recebidos por serviços advocatícios privados e que não aceitou trabalhar para a Copenhagen.

“Eu fiz um trabalho para uma empresa, fui contratado para isso, prestei serviços advocatícios, tudo certo, relação completamente legal e privada. Em outra oportunidade, eu não aceitei trabalhar para esta empresa chamada Copenhagen, que supostamente é usada por Vorcaro para fazer pagamentos para algumas pessoas. Não foi o meu caso”, declarou o senador.

Histórico de suspeitas Rogério Lourenço Novo já foi investigado pela Polícia Federal por suposto esquema de emissão de notas fiscais falsas entre 2013 e 2015. A fraude foi estimada em mais de R$ 100 milhões, mas o caso foi arquivado.

Com informações do portal CNN e Metrópoles