Nunes Marques suspende divulgação de pesquisa que apontou queda de Flávio Bolsonaro

Decisão atende pedido do PL e será analisada pelo plenário do TSE; instituto responsável pela pesquisa defende a metodologia utilizada.

Publicado em 8 de junho de 2026 às 17:37

Decisão atende pedido do PL e será analisada pelo plenário do TSE; instituto responsável pela pesquisa defende a metodologia utilizada.
Decisão atende pedido do PL e será analisada pelo plenário do TSE; instituto responsável pela pesquisa defende a metodologia utilizada. Crédito: Reprodução 

Nesta segunda-feira (8), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, determinou a suspensão da divulgação de uma pesquisa eleitoral realizada pelo Instituto AtlasIntel que apontava queda nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL). A medida foi concedida de forma liminar e ainda será submetida à análise do plenário da Corte nesta terça-feira (9).

O pedido foi apresentado pelo Partido Liberal (PL), que questionou a metodologia utilizada no levantamento. A legenda alegou que algumas perguntas poderiam ter influenciado as respostas dos entrevistados após a repercussão de um áudio envolvendo Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro.

Na decisão, Nunes Marques afirmou que existem indícios de possível indução aos participantes da pesquisa. Segundo o ministro, a controvérsia não se resume a divergências metodológicas, mas envolve questionamentos sobre a forma como o levantamento foi conduzido.

Em sua análise preliminar, o magistrado destacou que a suspensão temporária da divulgação não causa prejuízo caso, posteriormente, seja comprovada a regularidade da pesquisa. Ele também observou que outras pesquisas registradas pela AtlasIntel no TSE não utilizaram questionários semelhantes nem incluíram material em áudio como o empregado no levantamento contestado.

Diante das dúvidas levantadas no processo, o ministro determinou que o instituto apresente documentação técnica complementar para esclarecer a metodologia adotada, especialmente em relação ao uso do áudio. O Ministério Público Eleitoral também foi intimado a se manifestar sobre o caso.

## AtlasIntel defende pesquisa

Em nota, a AtlasIntel informou que respeitará a decisão judicial e afirmou confiar na análise técnica que será realizada pelo TSE.

Segundo o instituto, o áudio envolvendo Flávio Bolsonaro não foi reproduzido durante a aplicação do questionário principal. A empresa explicou que o conteúdo foi apresentado apenas após o encerramento das perguntas da pesquisa e sem possibilidade de alteração das respostas já registradas pelos participantes.

A AtlasIntel também argumentou que levantamentos realizados posteriormente por outros institutos identificaram efeitos semelhantes sobre as intenções de voto do senador, alguns apontando impacto ainda maior do que o observado em seu estudo.

O CEO da empresa, Andrei Roman, negou a existência de qualquer viés político na elaboração da pesquisa e afirmou que o trabalho da AtlasIntel segue critérios de imparcialidade, rigor científico e precisão estatística.

Ao final do posicionamento, o instituto declarou estar à disposição das autoridades eleitorais para colaborar com eventuais esclarecimentos e contribuir para o aperfeiçoamento das metodologias de pesquisa e da transparência das informações divulgadas ao público.