Publicado em 21 de outubro de 2026 às 09:14
Um relatório extraído pela Polícia Federal do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-chefe do Banco Master, jogou luz sobre os bastidores do lobby em Brasília ao expor mensagens enviadas pelo político e articulador Chiquinho Feitosa.>
Nos registros obtidos pelos investigadores, datados de 28 de maio de 2024, Feitosa gabou-se a Vorcaro de estar participando de um jantar reservado na companhia dos ministros do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, além de suas respectivas esposas.>
Na conversa, o lobista afirmou ao executivo que aproveitaria a ocasião social para debater pautas de interesse corporativo da instituição financeira e repassar diretrizes recebidas de terceiros. A divulgação do conteúdo gerou reações imediatas e um forte choque de versões entre o rastro digital e os citados.>
Procurado pela imprensa, o gabinete do ministro Cristiano Zanin desmentiu categoricamente a narrativa apresentada nas mensagens, declarando em nota oficial que o magistrado jamais jantou, recebeu em audiência ou conversou com Feitosa e Vorcaro sobre qualquer assunto. Na mesma linha, a assessoria do ministro Gilmar Mendes pontuou que o decano da corte não participou do suposto encontro social relatado pelo intermediário.>
O episódio ganhou contornos ainda mais peculiares quando a própria família do lobista veio a público desqualificar o teor das mensagens. Guiomar Feitosa, irmã de Chiquinho, declarou que o irmão "faltou com a verdade" e inventou a realização do jantar em uma tentativa de "aparecer" e inflar sua importância perante o banqueiro.>
Apesar da desautorização pública e das negativas formais vindas do tribunal, o material apreendido pela Polícia Federal segue mapeando as engrenagens de influência que tentavam aproximar operadores de mercado e magistrados da mais alta corte do país.>