Ofensiva contra facção investiga domínio ilegal sobre provedores de internet na Bahia

Mandados são cumpridos em três cidades baianas; grupo ligado ao Comando Vermelho é suspeito de impor cobranças e ameaças para controlar o serviço em Dias D’Ávila.

Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 10:29

Ofensiva contra facção investiga domínio ilegal sobre provedores de internet na Bahia
Ofensiva contra facção investiga domínio ilegal sobre provedores de internet na Bahia Crédito: SSP-BA/MPBA

Uma força-tarefa coordenada pelo Ministério Público da Bahia colocou em curso, na manhã desta quarta-feira (11), uma operação para desarticular um esquema criminoso que, segundo as investigações, atuava para controlar de forma ilegal o fornecimento de internet em Dias D’Ávila, na Região Metropolitana de Salvador. A ação, denominada “Território Livre”, mira integrantes de um grupo apontado como vinculado ao Comando Vermelho (CV).

Ao todo, sete mandados de busca e apreensão são cumpridos em Dias D’Ávila, Lauro de Freitas e Camaçari. O objetivo é reunir novas provas e aprofundar as apurações sobre a estrutura da organização, que teria se consolidado para exercer domínio territorial e econômico sobre provedores locais.

De acordo com o Ministério Público, o grupo impunha restrições ao funcionamento das empresas por meio de ameaças, intimidações e cobranças consideradas ilegais. A prática, ainda segundo os investigadores, comprometia a livre concorrência e afetava a oferta regular de um serviço essencial à população.

As apurações indicam que o esquema possuía divisão de funções e hierarquia definida. A liderança seria exercida por um homem atualmente foragido, com ordens de prisão em aberto. Mesmo sem paradeiro conhecido, ele seria responsável por estabelecer regras, determinar cobranças e autorizar ações de intimidação contra os provedores que não seguissem as diretrizes impostas.

Abaixo desse núcleo central, outros integrantes atuariam na execução das ordens, realizando contatos com empresários, organizando a arrecadação dos valores exigidos e garantindo o repasse dos recursos à cúpula do grupo. Também são investigadas possíveis ligações com pessoas do próprio setor de internet que, conforme suspeita o MP, poderiam ter contribuído financeiramente para a manutenção da organização.

A investigação é conduzida de forma integrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do MPBA, e pelo Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), da Polícia Civil da Bahia. A operação conta ainda com apoio da Polícia Militar, por meio de unidades especializadas, incluindo o Batalhão Apolo, o Batalhão de Prevenção a Roubos em Coletivos e o Batalhão Independente de Policiamento Tático da Região Metropolitana de Salvador.

As diligências seguem em andamento, e o material apreendido será analisado para subsidiar novas medidas judiciais e eventual responsabilização criminal dos envolvidos.