Órgãos federais confirmam vazamento de radiação em instituto dentro da USP

Incidente com o elemento tecnécio-99 atingiu vestimentas de dois técnicos no Centro de Radiofarmácia do Ipen.

Publicado em 12 de junho de 2026 às 08:22

Órgãos federais confirmam vazamento de radiação em instituto dentro da USP
Órgãos federais confirmam vazamento de radiação em instituto dentro da USP Crédito: Reprodução

Um vazamento de material radioativo dentro do campus da Universidade de São Paulo, a USP, acendeu o sinal de alerta para os protocolos de segurança de insumos nucleares no país. A Comissão Nacional de Energia Nuclear, a Cnen, confirmou publicamente nesta quinta-feira (11) que partículas do elemento tecnécio-99 escaparam das barreiras de contenção no Centro de Radiofarmácia do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, o Ipen. O episódio, mantido em sigilo por quase duas semanas, ocorreu no dia 29 de maio, mobilizando equipes especializadas em descontaminação de emergência e desencadeando uma fiscalização rigorosa por parte das autoridades federais.

O problema começou a vir à tona após denúncias formais feitas pela Associação dos Servidores e pelo Sindsef-SP, sindicato que representa os trabalhadores do serviço público federal. De acordo com as investigações, a dispersão do material radioativo ocorreu no momento em que funcionários realizavam a retirada de sensores biológicos, uma atividade de rotina ligada à fabricação de insumos utilizados em tratamentos de radioterapia contra o câncer. A falha operacional expôs diretamente dois técnicos da unidade, classificados na legislação como Indivíduos Ocupacionalmente Expostos, gerando enorme preocupação entre os funcionários e prestadores de serviços terceirizados da instituição.

Em resposta às cobranças, a direção do Ipen detalhou a dinâmica do acidente e informou que a contaminação inicial atingiu as vestimentas de um operador. Embora o funcionário tenha passado por limpeza imediata e isolado suas roupas de proteção, resíduos leves da substância grudaram no piso próximo aos detectores de segurança. Dias depois, em 1 de junho, um segundo trabalhador acabou pisando no local contaminado, espalhando a radiação para os seus calçados. Diante do risco, ambos os profissionais foram submetidos a exames complexos de contagem de corpo inteiro. 

As análises apontaram níveis baixos de radiação e descartaram qualquer tipo de contaminação interna ou sequelas à saúde, permitindo que a dupla retornasse às atividades após passarem por um programa de reciclagem e retreinamento.

Apesar de o instituto assegurar que o vazamento ficou restrito à área controlada de produção e não causou impactos externos, o caso foi formalmente repassado à Autoridade Nacional de Segurança Nuclear, a ANSN. O órgão de fiscalização abriu um processo de verificação técnica e emitiu uma notificação obrigatória com prazo estipulado até o dia 18 de junho para que o Ipen cumpra uma série de exigências regulatórias adicionais.

Este é o segundo susto registrado no complexo nuclear em poucos meses; em março deste ano, os inspetores da agência reguladora já haviam sido acionados para investigar um incêndio localizado que destruiu racks de computadores e fiação elétrica no setor do reator nuclear do próprio instituto.