Padrasto e mãe são indiciados por rotina de abusos e tortura psicológica contra irmãos em MT

Investigação da Polícia Civil revela que jovem de 19 anos sofria violência sexual desde os 4 anos de idade.

Publicado em 23 de maio de 2026 às 15:38

Padrasto e mãe são indiciados por rotina de abusos e tortura psicológica contra irmãos em MT
Padrasto e mãe são indiciados por rotina de abusos e tortura psicológica contra irmãos em MT Crédito: Reprodução/PCMT

Uma investigação contundente da Polícia Civil de Mato Grosso, concluída nesta sexta-feira (22), expôs um cenário de horror vivido por irmãos dentro da própria casa. Um homem foi indiciado pelos crimes de estupro de vulnerável continuado e maus-tratos graves. A mãe das vítimas também responderá exatamente pelos mesmos crimes, mas na modalidade de omissão imprópria, já que as autoridades constataram que ela sabia das agressões e não agiu para proteger os próprios filhos. Para garantir a segurança dos jovens, a Justiça expediu medidas protetivas de urgência, proibindo terminantemente qualquer tipo de aproximação dos indiciados com as vítimas.

O caso começou a ganhar corpo quando a filha mais velha, hoje com 19 anos, conseguiu romper o silêncio. Os relatos apontam que ela era estuprada pelo padrasto desde os 4 anos de idade. Ao longo de uma década e meia, os abusos sexuais eram acompanhados por agressões físicas frequentes, intimidações e ameaças de morte para que o crime nunca fosse descoberto.

Com o avanço dos depoimentos e das perícias, os policiais descobriram que o terror familiar se estendia aos outros filhos do casal. Entre as vítimas estão duas crianças, de 6 e 11 anos, diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na condição não verbal. Aproveitando-se da impossibilidade de comunicação das crianças, o homem cometia graves violações físicas. A apuração policial detalhou que a residência funcionava em condições extremas de insalubridade, onde os menores eram privados de comida, passavam frio e tinham o acesso negado a medicamentos básicos necessários para a saúde deles.

No início do trabalho de investigação, os agentes chegaram a prender o suspeito em flagrante após encontrarem armas de fogo e munições de diversos calibres espalhadas e escondidas em locais de fácil acesso na casa. Embora ele tenha recebido o direito de responder em liberdade pelo crime de posse ilegal de armamento após passar por uma audiência de custódia, o indiciamento atual foca nos crimes de natureza sexual e de violência doméstica. Com o inquérito relatado, o caso agora segue para o Ministério Público, que deve formalizar a denúncia à Justiça.