Pai é preso após chutar rosto de filha de 3 anos; testemunha relata ameaças do agressor

Personal trainer que presenciou o crime em Francisco Beltrão (PR) ajudou a polícia a localizar imagens de câmeras de segurança.

Publicado em 13 de julho de 2026 às 13:36

Câmera de segurança registrou o momento em que um pai desferiu um chute no rosto da própria filha, de apenas três anos.
Câmera de segurança registrou o momento em que um pai desferiu um chute no rosto da própria filha, de apenas três anos. Crédito: Divulgação/Polícia Militar do Paraná

Um homem de 31 anos foi preso preventivamente em Francisco Beltrão, no Paraná, após ser flagrado agredindo a própria filha, uma menina de apenas 3 anos. O crime ocorreu enquanto a família voltava para casa e foi testemunhado pelo personal trainer José Luiz, proprietário de uma academia em frente ao local da agressão. Ao tentar intervir para evitar que a violência continuasse, a testemunha afirma ter sido ameaçada pelo pai, que disse para ele "ficar na sua" porque o assunto não lhe dizia respeito e que "iria sobrar" para ele.

Além de presenciar o ocorrido, o personal trainer foi peça fundamental na reunião de provas, pois conversou com moradores da região até localizar uma gravação que registrou o chute com clareza. José Luiz relatou que a reação da menina após ser atingida foi uma das cenas mais marcantes, descrevendo que ela ficou com o braço levantado olhando para o pai, como se questionasse o motivo da agressão. Em seu depoimento à polícia, o agressor demonstrou arrependimento, mas tentou justificar o ato dizendo que "perdeu a cabeça" devido ao choro insistente da criança durante o trajeto.

A violência foi presenciada pelo irmão da vítima, um menino de 5 anos, que, segundo relatos, ficou paralisado e assustado diante da cena. A Polícia Civil agora apura outros episódios de maus-tratos contra os filhos, incluindo denúncias de que o pai teria agredido o filho mais velho com um pedaço de pau e aplicado castigos cruéis, como obrigar as crianças a ficarem ajoelhadas sobre grãos de feijão e tampas de garrafa PET. Devido ao sofrimento físico e psicológico imposto, os investigadores avaliam se o caso pode ser enquadrado como crime de tortura.

A mãe das crianças, que afirmou estar abalada e nunca ter presenciado tal comportamento anteriormente, já solicitou medida protetiva e informou às autoridades que pretende se separar do marido. O homem permanece preso e, até o momento, não constituiu um advogado para sua defesa.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.