Patrimônio de luxo na mira do STF: Mendonça bloqueia R$ 146 milhões em imóveis

Investigação aponta que apartamentos de alto padrão em Brasília foram usados como moeda de troca em esquema de propina envolvendo a cúpula do BRB.

Publicado em 8 de maio de 2026 às 09:47

Patrimônio de luxo na mira do STF: Mendonça bloqueia R$ 146 milhões em imóveis
Patrimônio de luxo na mira do STF: Mendonça bloqueia R$ 146 milhões em imóveis Crédito: Reprodução

Um rastro de transações imobiliárias sofisticadas e valores astronômicos levou o Supremo Tribunal Federal (STF) a paralisar o mercado de luxo em Brasília. O ministro André Mendonça determinou o bloqueio judicial de um patrimônio estimado em R$ 146,5 milhões, sob a suspeita de que esses imóveis seriam, na verdade, pagamentos de propina destinados a Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB).

A decisão, mantida sob sigilo desde abril, conecta o empresário Daniel Vorcaro ao centro de um suposto esquema de corrupção. Segundo a Polícia Federal, a estratégia para ocultar os verdadeiros donos envolvia uma engenharia financeira complexa: o uso de fundos de investimento e empresas de fachada (Sociedades Anônimas) criadas no início de 2025 para camuflar o caminho do dinheiro.

Um dos alvos centrais do bloqueio é uma unidade no Heritage, um dos condomínios mais exclusivos e caros da capital federal. Com 564 metros quadrados, o apartamento foi negociado inicialmente por R$ 37 milhões através de um "contrato de gaveta" um documento sem registro imediato em cartório. Curiosamente, quando o escândalo começou a vir à tona, o imóvel foi revendido por apenas R$ 15 milhões, menos da metade do preço original, levantando ainda mais suspeitas sobre lavagem de dinheiro.

O nome de Hamilton Suaki aparece como peça-chave nessas operações. Diretor das empresas Allora S.A. e Chesapeake S.A., Suaki é cunhado do advogado Daniel Monteiro, também detido na Operação Compliance Zero. Foi por meio dessas empresas que outro apartamento, no Residencial Ennius Muniz, foi adquirido por R$ 4,6 milhões, com metade do valor pago à vista apenas um dia após a assinatura do contrato.

O caso ganha contornos ainda mais graves ao esbarrar em nomes já conhecidos pela Justiça. A empresa Araguaia Empreendimentos, que participou de uma das revendas suspeitas, já havia sido alvo da Operação Onzena em 2018, em uma investigação sobre agiotagem e lavagem de dinheiro que resultou na apreensão de helicópteros e carros de luxo.

Com a canetada de André Mendonça, esses imóveis agora estão em estado de indisponibilidade. Isso significa que, mesmo que estejam registrados em nomes de terceiros ou incorporadoras, eles não podem ser vendidos ou transferidos até que o processo seja concluído. A medida visa garantir que, caso a corrupção seja comprovada, o patrimônio possa ser recuperado para os cofres públicos.