Pedreiro que viralizou em tribunal ao fazer sua própria defesa ganha bolsa de Direito

Edilson Takahara estudou a lei sozinho para sustentar a própria defesa no TRT-11

Publicado em 3 de setembro de 2026 às 17:39

Pedreiro Edilson Takahara surpreendeu os magistrados do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região ao assumir a sua própria defesa em uma audiência.
Pedreiro Edilson Takahara surpreendeu os magistrados do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região ao assumir a sua própria defesa em uma audiência. Crédito: Reprodução

O pedreiro Edilson Takahara ganhou uma bolsa de estudos integral para cursar a faculdade de Direito em Manaus. A reviravolta na vida do trabalhador ocorreu após ganhar repercussão nacional um vídeo em que ele realiza, por conta própria, a sustentação oral de sua defesa em uma sessão trabalhista no Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11).

Para defender o reconhecimento de seu vínculo de emprego com uma empresa para a qual atuou em uma obra na capital amazonense, Takahara debruçou-se sobre aspectos básicos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e analisou detalhadamente o próprio processo. Diante dos magistrados, ele confrontou a tese da empresa de que teria prestado apenas serviços como trabalhador autônomo.

A firmeza e a estruturação da fala do pedreiro surpreenderam a banca examinadora do tribunal. O relator do caso, o juiz convocado Sandro Nahmias Melo, elogiou publicamente a organização da linha de raciocínio de Takahara e chegou a brincar que ele poderia mudar de profissão, pois sua lógica argumentativa superava a de muitas das sustentações orais proferidas rotineiramente por advogados na turma. Outro integrante da sessão também enalteceu a capacidade demonstrada pelo cidadão comum de defender pessoalmente as suas demandas perante o Judiciário.

Após a grande circulação do vídeo do julgamento na internet, uma universidade privada de Manaus convidou Takahara para participar de um debate com acadêmicos de Direito. Foi a partir desse bate-papo e de uma entrevista subsequente que a instituição de ensino formalizou a entrega da bolsa integral para o ingresso dele na graduação. Ao comentar o episódio, o trabalhador admitiu ter achado a situação divertida e inusitada. "Comecei a rir muito, porque eu jamais imaginava que pudesse inspirar alguém", afirmou.

Agora, o desafio de Takahara será reorganizar sua rotina diária para conseguir conciliar as atividades na construção civil com a grade de aulas do curso de Direito, que serão ministradas no período noturno. O pedreiro revelou ainda que a repercussão inesperada atraiu outras propostas de apoio, as quais continuam em fase de análise por ele, que se mantém otimista com o futuro. "Me reorganizando, acredito que devem surgir mais oportunidades muito positivas", concluiu.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.