Publicado em 27 de março de 2026 às 07:22
A análise pericial no celular da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana revelou indícios de que o aparelho pode ter sido manipulado logo após o disparo que resultou na morte da policial. Segundo o laudo incluído no processo, registros mostram que o telefone foi acessado enquanto ela ainda estava viva, o que levanta dúvidas sobre a versão inicial apresentada no caso.>
De acordo com a investigação, a perícia identificou sinais de exclusão de conteúdos e alterações em informações armazenadas no dispositivo. Para os investigadores, esse tipo de ação pode indicar uma tentativa de interferir nas evidências digitais e influenciar a interpretação dos fatos.>
Entre os materiais analisados, mensagens trocadas entre Gisele e o marido ao longo do dia do crime trouxeram um elemento importante para o caso. O conteúdo recuperado aponta que era a própria policial quem demonstrava intenção de encerrar o relacionamento, o que contradiz a versão apresentada por ele, que alegava ser o responsável por pedir o divórcio.>
A apuração também identificou que o histórico de conversas revela um ambiente de conflitos frequentes nos dias que antecederam a morte. Em uma das mensagens recuperadas, Gisele afirma que não conseguiria superar uma suposta traição e que já não confiava mais no companheiro, indicando a separação como única alternativa.>
Outro ponto destacado pela perícia é o possível controle exercido sobre a rotina da vítima. Conversas mostram que a policial se sentia monitorada nas redes sociais e relatava que o marido teria interferido em seus perfis, chegando a excluir contatos masculinos.>
Há ainda relatos de que ele teria pressionado Gisele a deixar a carreira na Polícia Militar, informação que também foi confirmada por uma amiga da vítima em depoimento às autoridades.>
Para os responsáveis pelo inquérito, caso seja confirmada a manipulação dos dados no celular, a situação pode ser enquadrada como tentativa de fraude processual. Além disso, os elementos reunidos fortalecem a linha de investigação que trata o caso como feminicídio, não apenas pela violência em si, mas também por possíveis ações posteriores para ocultar ou distorcer provas.>