Perito afirma que menino teve morte lenta e sofrida durante julgamento no Rio

Especialista diz que criança de 4 anos apresentava múltiplas lesões e já chegou sem vida ao hospital

Publicado em 29 de maio de 2026 às 16:21

Especialista diz que criança de 4 anos apresentava múltiplas lesões e já chegou sem vida ao hospital
Especialista diz que criança de 4 anos apresentava múltiplas lesões e já chegou sem vida ao hospital Crédito: Reprodução 

Nesta sexta-feira (29), durante a quinta sessão do julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior (Dr. Jairinho) e de Monique Medeiros, o perito-legista Luiz Carlos Leal Prestes afirmou ao Tribunal do Júri que o menino Henry Borel teve uma morte “lenta e agônica” após sofrer múltiplas lesões antes de chegar ao hospital.

O julgamento acontece no II Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio de Janeiro, e envolve acusações de homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo e fraude processual.

Primeira testemunha a depor nesta fase, o perito afirmou que Henry já teria chegado sem vida ao Hospital Barra D’Or, na zona sudoeste do Rio. Segundo ele, o conjunto de lesões no corpo da criança indica que houve agressões anteriores à chegada à unidade de saúde.

De acordo com o especialista, a morte teria ocorrido entre duas e três horas antes do atendimento hospitalar, com base na temperatura corporal registrada na emergência, de 34ºC.

Durante o depoimento, Prestes reforçou a tese do Ministério Público de que a morte não foi acidental. Ele afirmou que a criança apresentava 17 lesões externas, inclusive na região da cabeça, e que a causa do óbito foi hemorragia interna provocada por trauma.

O perito também descartou a hipótese de acidente doméstico ou de que os ferimentos tenham sido causados por manobras de reanimação realizadas no hospital. Segundo ele, as lesões são incompatíveis com uma única queda e ocorreram de forma independente.

Ao falar aos jurados, Prestes descreveu o quadro como resultado de agressões sucessivas. Ele afirmou que Henry “sofreu até sucumbir” e destacou que a morte foi resultado de um conjunto de traumas no corpo da criança.

A defesa de Jairo Souza Santos Júnior (Dr. Jairinho), padrasto de Henry, sustenta que não houve agressões e que os ferimentos teriam sido provocados por tentativas de reanimação no hospital.

Durante a sessão, imagens da criança foram exibidas enquanto o perito explicava as lesões ao júri. Monique Medeiros não esteve presente no plenário nesta fase do julgamento e deve retornar no sábado (30).

Além do depoimento de Prestes, também devem ser ouvidos o médico-legista Luiz Airton Saavedra de Paiva e o pai da criança, Leniel Borel.

Ao todo, 27 testemunhas foram arroladas no processo. Até o momento, dez já prestaram depoimento. Após essa etapa, serão ouvidos os réus e, em seguida, acusação e defesa farão as sustentações finais antes da decisão do Conselho de Sentença.