Pesquisa da UFRGS encontra ‘superbactéria’ imune a antibióticos nas águas de Porto Alegre

Identificado em quatro pontos da capital, microrganismo está na lista dos mais perigosos da OMS.

Publicado em 12 de maio de 2026 às 12:20

Pesquisa da UFRGS encontra ‘superbactéria’ imune a antibióticos nas águas de Porto Alegre
Pesquisa da UFRGS encontra ‘superbactéria’ imune a antibióticos nas águas de Porto Alegre Crédito: Reprodução/Redes sociais 

Cientistas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) emitiram um alerta preocupante sobre a qualidade das águas que banham Porto Alegre. Através dos projetos ClimaRes WaSH e CLIMASANO, pesquisadores detectaram a presença da Acinetobacter baumannii, uma bactéria altamente resiliente, em quatro pontos distintos da orla gaúcha: nas praias de Ipanema e do Lami, na foz do arroio Dilúvio e nas proximidades da Estação de Bombeamento Menino Deus.

O que mais assusta a comunidade científica é o perfil de "superbactéria" encontrado em uma das amostras. No ponto próximo à Estação Menino Deus, o microrganismo se mostrou resistente a todos os 14 antibióticos testados, incluindo medicamentos potentes como o meropenem e o ciprofloxacino. Essa característica coloca o achado em sintonia com os alertas da Organização Mundial da Saúde (OMS), que em 2024 classificou a A. baumannii como uma das maiores ameaças globais à saúde pública devido à sua facilidade em driblar tratamentos convencionais.

A equipe agora trabalha no sequenciamento genético dessas bactérias para entender se elas possuem parentesco com as cepas que causaram um surto recente na UTI neonatal do Hospital Fêmina, onde um bebê prematuro acabou falecendo em abril. A principal hipótese dos estudiosos não é que a água do Guaíba contamine os hospitais, mas sim o contrário: o descarte inadequado de esgoto hospitalar na rede pública estaria levando esses agentes perigosos para os mananciais naturais.

O próximo passo da investigação será testar se esses isolados ainda podem ser combatidos pela polimixina B, considerada um dos "últimos recursos" da medicina moderna para infecções graves.

O posicionamento oficial

Diante da repercussão, o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) tranquilizou a população. O órgão enfatizou que existe uma diferença fundamental entre a água bruta dos rios e a água que chega às casas. Segundo o Dmae, são realizadas mais de 2,4 mil análises diárias para garantir que todo o volume distribuído siga os padrões de potabilidade do Ministério da Saúde.

Enquanto o Dmae assegura a segurança da água tratada, o estudo da UFRGS serve como um chamado urgente para a melhoria do saneamento básico e do tratamento de resíduos hospitalares na capital, visando proteger o ecossistema e evitar que ambientes de lazer se tornem focos de resistência bacteriana.