Petrobras avalia elevar preço da gasolina nas refinarias se governo reduzir tributos

CEO Magda Chambriard afirma que eventual reajuste visa ampliar margem da estatal sem impactar o consumidor final, aproveitando o espaço aberto por novas desonerações federais.

Publicado em 28 de abril de 2026 às 17:18

Logo da Petrobras.
Logo da Petrobras. Crédito: Sergio Moraes/Reuters

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta terça-feira (28) que a estatal poderá aumentar os preços da gasolina nas refinarias caso o Congresso Nacional aprove a proposta do governo federal para reduzir impostos sobre combustíveis. A estratégia da companhia é utilizar a redução de tributos como o PIS e o Cofins para recompor suas margens de lucro sem provocar um aumento no preço final pago pelo cidadão nas bombas.

De acordo com a executiva, esse modelo de ajuste não é inédito, tendo sido aplicado ao diesel em março deste ano. "O projeto abre margem para o reajuste de preços da Petrobras, mas não para o consumidor", explicou Chambriard durante evento no Rio de Janeiro. A medida faz parte de um projeto de lei complementar que pretende usar receitas extras da alta do petróleo para bancar a desoneração dos combustíveis.

Apesar das incertezas geradas por conflitos internacionais envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, a Petrobras reiterou que não pretende transferir a "ansiedade" do mercado global para o consumidor brasileiro. A companhia destaca que não há pressão imediata para reajustes emergenciais porque o Brasil produz grande parte do volume de gasolina consumido internamente.

Diferente do diesel, do qual o país ainda importa volumes significativos, a gasolina brasileira possui uma dinâmica de abastecimento mais estável. Além da produção nacional, o mercado conta com o ciclo Otto, que integra a oferta de etanol (hidratado ou misturado à gasolina fóssil), garantindo maior segurança energética ao país.

Para Chambriard, a aprovação do projeto de isenção de PIS e Cofins sobre a gasolina é considerada "suficiente" para que a estatal atenda às expectativas de seus investidores públicos e privados no momento atual.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Cássio Leal.