PF acusa ex-presidente do INSS de lavar R$ 900 mil em propina usando pizzaria

Alessandro Stefanutto teria recebido repasses mensais de até R$ 250 mil em 2024.

Publicado em 15 de julho de 2026 às 17:37

Ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto.
Ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto. Crédito: Wilson Dias/Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) acusou Alessandro Stefanutto, ex-presidente do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), de utilizar uma pizzaria para disfarçar a origem de R$ 900 mil recebidos como propina durante o ano de 2024. Os valores estariam vinculados ao esquema de corrupção conhecido como "Máfia do INSS", que envolve o desvio de recursos por meio de fraudes contra aposentados e pensionistas.

De acordo com o relatório de indiciamento da PF, os repasses ocorreram entre os meses de junho e agosto de 2024. O montante teria sido transferido a Stefanutto por Cícero Marcelino de Souza Santos, apontado como o principal operador financeiro do esquema. A investigação detalhou que houve um repasse inicial de R$ 150 mil em 13 de junho, seguido por dois pagamentos de R$ 250 mil em 10 de julho e 12 de agosto daquele ano.

A pizzaria utilizada para a lavagem de capitais estava registrada na cidade de Tubarão, em Santa Catarina. Segundo os investigadores, parte do dinheiro enviado ao estabelecimento era posteriormente redistribuído para outros integrantes da organização criminosa. A PF estima que apenas uma das entidades envolvidas no esquema possa ter desviado cerca de R$ 6 bilhões em descontos indevidos de beneficiários.

Ao todo, a Polícia Federal indiciou 48 pessoas no âmbito desta investigação, das quais 24 teriam ligação direta com a organização e as outras 24 teriam participado de atos isolados de corrupção ou lavagem de dinheiro. Stefanutto, que foi indicado ao cargo em 2023 e está preso desde novembro em decorrência das investigações, teria recebido propinas recorrentes que chegavam ao patamar de R$ 250 mil mensais.

Em depoimento à PF, Alessandro Stefanutto negou veementemente qualquer envolvimento com as irregularidades ou o recebimento de vantagens indevidas. Ele afirmou que nunca utilizou o estabelecimento catarinense para ocultar valores ilícitos. Cícero Santos também negou práticas irregulares em depoimento ao Congresso, alegando que apenas prestava serviços para a Conafer, uma das entidades suspeitas de participar das fraudes.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.