PF apura repasse de R$ 14 milhões da Refit a empresa ligada a Ciro Nogueira

Transferência milionária envolvendo fundo associado ao grupo de combustíveis entrou na mira da Polícia Federal durante investigação sobre fraudes e lavagem de dinheiro

Publicado em 21 de maio de 2026 às 14:18

Transferência milionária envolvendo fundo associado ao grupo de combustíveis entrou na mira da Polícia Federal durante investigação sobre fraudes e lavagem de dinheiro
Transferência milionária envolvendo fundo associado ao grupo de combustíveis entrou na mira da Polícia Federal durante investigação sobre fraudes e lavagem de dinheiro Crédito: Reprodução 

Nesta quinta-feira (21), novas informações da investigação da Polícia Federal sobre um esquema de corrupção, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro envolvendo a Refit revelaram um repasse de R$ 14,2 milhões para uma empresa ligada à família do senador Ciro Nogueira.

Segundo informações divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, o valor teria sido transferido por um fundo associado ao conglomerado de combustíveis controlado pelo empresário Ricardo Magro.

Magro confirmou o pagamento e afirmou que a operação se refere à compra de um terreno de 40 hectares em Teresina, destinado à construção de uma distribuidora de combustíveis. Segundo ele, a negociação ocorreu de forma regular e foi declarada às autoridades competentes.

O empresário está fora do país e é considerado foragido pela Justiça em investigações relacionadas a fraudes, sonegação de ICMS e lavagem de dinheiro.

De acordo com a apuração, o contrato de venda teria sido assinado em 2024 por Raimundo Nogueira, irmão de Ciro Nogueira. Tanto ele quanto o senador foram alvos de mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, investigação ligada ao escândalo envolvendo o Banco Master.

A transferência teria sido feita pela empresa imobiliária Athena, apontada como principal beneficiária do fundo ligado à Refit, para a empresa Agropecuária e Imóveis, ligada à família de Ciro Nogueira. O senador informou anteriormente que possuía apenas 1% de participação na companhia à época da negociação e atualmente não integra mais o quadro societário, embora familiares ainda sejam proprietários.

A Polícia Federal também identificou um outro repasse, de R$ 1,3 milhão, feito por empresa associada à Refit para Jonathas Assunção Salvador Nery de Castro, ex-secretário executivo da Casa Civil durante a gestão de Ciro Nogueira.

Em nota, o senador afirmou que recebe as acusações com tranquilidade e disse ser o principal interessado no esclarecimento dos fatos. Segundo ele, as denúncias surgem em ano eleitoral com a intenção de desgastar sua imagem política no Piauí.