PF cancela depoimento de Flávio Bolsonaro sobre suposta calúnia contra Lula

Defesa aponta "fragilidade" na investigação.

Publicado em 28 de julho de 2026 às 15:51

Pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro.
Pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro. Crédito: Raul Spinassé

A Polícia Federal cancelou o depoimento do senador e pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, que estava marcado para a tarde desta terça-feira (28). O parlamentar seria ouvido no âmbito de um inquérito que apura se ele cometeu o crime de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A investigação foca em uma publicação feita pelo senador em janeiro de 2026. Na ocasião, Flávio compartilhou notícias sobre a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos e afirmou que o petista "será delatado". Em nota, a defesa do congressista protocolou esclarecimentos por escrito e solicitou novas diligências, sustentando que a postagem não configura crime.

Os advogados de Flávio Bolsonaro argumentam que as falas estão inseridas no contexto do debate político e dizem respeito a afinidades públicas amplamente discutidas no cenário nacional e internacional. Segundo a defesa, a calúnia exigiria a atribuição de um fato específico e falso, o que não teria ocorrido, uma vez que a publicação tratava de uma previsão futura e de críticas severas protegidas pela liberdade de expressão.

A petição enviada à PF também critica a condução do caso, destacando que o inquérito não partiu de uma representação do próprio Lula, mas sim de um terceiro. A defesa alegou ainda que a Polícia Federal negou pedidos de prova destinados a demonstrar a relação política entre Lula e Maduro, o que, para os advogados, deixa a investigação "sem nenhuma prova". No texto, o senador reafirmou sua confiança nas instituições, mas demonstrou preocupação com a judicialização do embate político.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.