PT e aliados acionam PGE para apurar vinda de Milei a convenção do PL

Federação pede que Procuradoria Geral Eleitoral investigue custeio da viagem e possível uso de estrutura pública de São Paulo para favorecer candidatura de Flávio Bolsonaro.

Publicado em 28 de julho de 2026 às 16:25

Presidente da Argentina, Javier Milei, posa ao lado de Flávio Bolsonaro.
Presidente da Argentina, Javier Milei, posa ao lado de Flávio Bolsonaro. Crédito: Vittor Sales

A federação Brasil da Esperança, composta por PT, PV e PC do B, protocolou nesta segunda-feira (27) uma notícia de fato junto à Procuradoria Geral Eleitoral (PGE) solicitando a abertura de diligências sobre a participação do presidente da Argentina, Javier Milei, em um evento partidário no Brasil. O foco da representação é a vinda do líder argentino para a convenção nacional do PL, realizada no último sábado (25), que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

De acordo com o pedido dos partidos, é necessário esclarecer a natureza jurídica da visita e a cadeia de financiamento envolvida no transporte, hospedagem, segurança e logística de Milei. O grupo político questiona se houve a utilização de recursos públicos argentinos para uma agenda de conteúdo estritamente político-partidário em território brasileiro, o que poderia configurar irregularidade.

A representação também mira a atuação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. A federação solicita que a PGE verifique se houve o emprego de estrutura administrativa ou patrimonial do Estado paulista para potencializar o ato eleitoral, citando a homenagem prestada a Milei no Palácio dos Bandeirantes como um ponto que merece investigação sob a ótica da moralidade administrativa e finalidade pública.

Para os partidos aliados ao governo federal, a presença do presidente argentino não foi um episódio isolado, mas um elemento de "grande impacto político e midiático" utilizado para impulsionar a sucessão presidencial brasileira. O texto sustenta que o Ministério Público Federal deve atestar se a participação de uma autoridade estrangeira no ato seguiu parâmetros compatíveis com a independência institucional e a soberania do Estado brasileiro.

Os partidos ressaltam que o pedido de esclarecimento não antecipa uma conclusão de ilícito, mas busca identificar se estruturas estatais foram mobilizadas, direta ou indiretamente, para favorecer a organização partidária do PL. A identificação do financiamento permitirá ao Ministério Público verificar a regularidade jurídica do custeio perante a Constituição e a legislação eleitoral.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.