PF desmantela rede interestadual de armas e apreende arsenal no Nordeste

Operação Fogo Amigo II mira esquema que abastecia facções e bloqueia até R$ 10 milhões em bens.

Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 14:56

PF desmantela rede interestadual de armas e apreende arsenal no Nordeste
PF desmantela rede interestadual de armas e apreende arsenal no Nordeste Crédito: Reprodução/PF

Uma ofensiva da Polícia Federal contra o tráfico ilegal de armamentos resultou na apreensão de um grande arsenal e na interrupção das atividades de uma organização criminosa que atuava em quatro estados do Nordeste. Deflagrada nesta terça-feira (27), a Operação Fogo Amigo II teve como foco um esquema especializado na comercialização clandestina de armas e munições, com ramificações na Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas.

De acordo com os dados iniciais da investigação, cerca de 700 armas de fogo e aproximadamente 200 mil munições foram retiradas de circulação. O balanço ainda é preliminar e será consolidado ao final das diligências. As apurações indicam que o grupo abastecia facções criminosas baianas, utilizando Alagoas como ponto de origem de parte do material bélico.

As investigações revelaram um mecanismo de fachada para dar aparência de legalidade à circulação dos armamentos, com o uso de estabelecimentos comerciais e intermediários. O esquema também contava com a participação de agentes públicos, que, segundo a PF, facilitavam o acesso às armas e ajudavam a proteger etapas da operação ilegal.

Por determinação da Justiça, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão, além do sequestro de bens e bloqueio de valores que podem chegar a R$ 10 milhões. Duas lojas tiveram as atividades suspensas por suspeita de comercializar material bélico de forma irregular. Também foram impostas medidas cautelares distintas da prisão, incluindo o afastamento de funções públicas, reforçando os indícios de envolvimento de servidores no esquema.

A ação contou com apoio do Ministério Público da Bahia (Gaeco), do Exército Brasileiro, das corregedorias das polícias militares da Bahia e de Pernambuco, da Cipe-Caatinga (PMBA) e do Batalhão Especializado de Policiamento do Interior (BEPI/PMPE).

Os investigados poderão responder por organização criminosa, comércio ilegal de armas e munições, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. A Polícia Federal segue com as investigações para identificar outros envolvidos e dimensionar o impacto total do esquema no abastecimento do crime organizado na região.