Publicado em 13 de fevereiro de 2026 às 10:52
Uma operação conjunta da Polícia Federal resultou na apreensão de aproximadamente 1,583 tonelada de barbatanas de tubarão mantidas ilegalmente em um imóvel na zona rural de Rodelas, no norte baiano. A ação ocorreu nesta quinta-feira (12), após levantamento de informações de inteligência que indicavam a existência de um ponto clandestino de beneficiamento e armazenamento do material.>
Com apoio de imagens aéreas, os agentes identificaram movimentação intensa no local. Sete pessoas foram encontradas na propriedade: quatro brasileiros, entre eles um adolescente, e três cidadãos chineses. De acordo com a apuração preliminar, um dos estrangeiros exerceria função de coordenação da atividade.>
No interior do imóvel, que funcionava como unidade improvisada de secagem e processamento, foram localizadas barbatanas de diversas espécies, incluindo algumas ameaçadas de extinção, em diferentes estágios de desidratação. O volume expressivo chamou a atenção dos investigadores, que apontam indícios de atuação voltada ao mercado internacional.>
Os envolvidos foram encaminhados à Delegacia da Polícia Federal em Juazeiro e autuados em flagrante por crimes contra a fauna, receptação qualificada e corrupção de menores. O material apreendido será submetido à perícia técnica para identificação das espécies e dimensionamento dos danos ambientais.>
A ofensiva contou com a participação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis e do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, responsáveis por análises ambientais e medidas administrativas cabíveis.>
Segundo especialistas, o comércio ilegal de barbatanas está frequentemente associado à prática conhecida como “finning”, método em que as nadadeiras são removidas e o tubarão é devolvido ao mar ainda vivo, o que provoca morte lenta e compromete o equilíbrio dos ecossistemas marinhos. No Brasil, a captura direcionada desses animais, bem como o armazenamento, transporte e comercialização de suas partes sem autorização, é proibida por lei.>
A lucratividade elevada no mercado externo, especialmente em países asiáticos onde a iguaria é valorizada, é apontada como um dos principais fatores que alimentam esse tipo de crime ambiental. As investigações seguem para identificar possíveis ramificações da atividade e eventuais conexões com redes de exportação ilegal.>