PF diz que sanção dos EUA atrapalhou operação e suspeito do PCC fugiu

Victor Shimada, o "elo-chave" do esquema, é considerado foragido.

Publicado em 3 de julho de 2026 às 16:32

Diretor-geral da Polícia Federal (PF) Andrei Rodrigues.
Diretor-geral da Polícia Federal (PF) Andrei Rodrigues. Crédito: José Cruz/Agência Brasil

O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, declarou nesta sexta-feira (3) que as sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos contra brasileiros na última quarta-feira (1) atrapalharam o desfecho da Operação Exchange. Segundo o chefe da corporação, a divulgação das medidas americanas obrigou a PF a antecipar a fase ostensiva da missão, o que dificultou a captura do principal alvo.

Devido à necessidade de agir antes do planejado, os agentes não conseguiram localizar o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, conhecido como "Japa". Ele é apontado pelas autoridades norte-americanas como o "elo-chave" entre membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Flórida e traficantes internacionais.

"Se não houvesse essa designação [dos EUA], talvez o desfecho fosse outro, a gente teria localizado essa pessoa, mas infelizmente não localizamos. Então, houve prejuízo à investigação", afirmou Rodrigues. Shimada é suspeito de lavar mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 156 milhões) utilizando criptoativos para remeter valores ao Brasil.

Apesar da fuga de Shimada, a operação conseguiu prender sete dos 11 alvos de prisão temporária, incluindo Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. Conhecida pelo apelido "Lara Croft", ela é apontada como parente e secretária de Shimada, atuando na logística e coleta de grandes quantias em dinheiro para a rede de lavagem.

A Justiça determinou o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados que somam o montante de R$ 10,4 bilhões. O esquema utilizava um sistema estruturado com mais de 70 empresas para movimentar recursos ilícitos gerados pelo tráfico internacional de drogas. A defesa de Victor Shimada informou que está analisando os autos e que o empresário avalia a possibilidade de se entregar às autoridades.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.