‘Vou defender o nosso PIX’, diz Flávio Bolsonaro sobre viagem aos Estados Unidos

Senador se apresenta como mediador em Washington.

Publicado em 3 de julho de 2026 às 17:14

Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Crédito: Jefferson Rudy/Agência Senado

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou que embarcará para os Estados Unidos na próxima semana para intervir diretamente nas negociações sobre as tarifas impostas ao Brasil. O foco central da agenda em Washington será a defesa do PIX perante o Escritório dos Representantes de Comércio (USTR), órgão que investiga se o sistema de pagamentos prejudica empresas americanas.

Flávio justifica a viagem independente, que não possui vínculo com o Itamaraty, alegando que o atual governo brasileiro falha em proteger o setor produtivo nacional. "Eu vou lá para os Estados Unidos defender o nosso PIX, já que o atual presidente do Brasil está se lixando para as empresas brasileiras", declarou o parlamentar durante um evento no Rio de Janeiro.

No documento de 86 páginas enviado às autoridades americanas, o senador apresentou uma proposta estratégica: o compromisso legislativo de que o PIX não seja interconectado a sistemas de liquidação transfronteiriça não ocidentais.

O objetivo é afastar temores de concorrência desleal com gigantes do setor de cartões dos EUA. Flávio argumenta que o PIX é uma infraestrutura pública soberana e que funções como crédito e estorno permanecem como diferenciais das empresas norte-americanas, garantindo que ambos os modelos podem coexistir.

A iniciativa gerou um forte atrito com o Palácio do Planalto devido a um ponto específico: Flávio pediu que o "tarifaço" de 25% contra produtos brasileiros seja adiado por 180 dias, passando a valer apenas após as eleições. Segundo ele, sanções imediatas beneficiariam politicamente o governo Lula ao permitir um discurso de defesa da soberania interna.

O presidente Lula reagiu com veemência, classificando a movimentação da família Bolsonaro como uma atitude de "traidores da pátria". Para o petista, o senador está articulando contra as instituições brasileiras em solo estrangeiro. Enquanto isso, o governo federal enviou sua própria defesa oficial, sustentando que os EUA não comprovaram a existência de barreiras discriminatórias no sistema brasileiro.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.