PF encontra cofres com joias e sacolas de dinheiro em operação contra esquema do CV ligado à família do Oruam

Operação investiga monopólio ilegal da internet no Rio e bloqueia até R$ 558 milhões.

Publicado em 19 de outubro de 2026 às 17:15

PF encontra cofres com joias e sacolas de dinheiro em operação contra esquema do CV ligado à família do Oruam
PF encontra cofres com joias e sacolas de dinheiro em operação contra esquema do CV ligado à família do Oruam Crédito: Reprodução/Redes Sociais

A Polícia Federal (PF) apreendeu dinheiro em espécie, joias e relógios de luxo durante a Operação Backbone, deflagrada nesta segunda-feira (19), no Rio de Janeiro. A investigação apura um esquema ligado ao Comando Vermelho (CV), suspeito de impor o monopólio dos serviços de internet em comunidades cariocas por meio de ameaças e violência. Entre os alvos da operação que foram presos estão Márcia Gama, mãe do rapper Oruam e Lucas Santos Nepomuceno, irmão do artista.

Imagens divulgadas pela PF mostram sacolas cheias de dinheiro encontradas em uma residência no bairro de Tomás Coelho, na zona norte do Rio. Parte das cédulas estava escondida em gavetas de roupas. De acordo com os investigadores, o imóvel pertence a um suspeito apontado como um dos operadores financeiros do esquema.

Em outro endereço, em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, na zona sudoeste da cidade, os agentes apreenderam dinheiro, duas pistolas, joias, relógios de alto padrão, um veículo, celulares e documentos. O morador foi preso preventivamente. Até a divulgação das primeiras informações, a PF não havia informado o valor total dos bens e das quantias recolhidas.

Segundo a investigação, o grupo criminoso restringia a atuação de provedores regulares nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão. Os moradores dessas comunidades seriam obrigados a contratar empresas autorizadas pela facção, enquanto concorrentes enfrentavam intimidações e ataques.

Para impedir a atuação de outras operadoras, criminosos armados cortavam cabos, incendiavam caixas de distribuição e bloqueavam o trabalho de técnicos responsáveis pelos reparos. Em troca da autorização para prestar serviços nos territórios dominados pelo CV, provedores ligados ao esquema pagariam taxas mensais à organização.

A PF também apura como os lucros obtidos com o esquema eram movimentados para esconder a origem dos recursos. Conforme as investigações, o dinheiro passava por empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas de passagem antes de ser direcionado a negócios como produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão adquiridos em dinheiro vivo e criptoativos.

A Operação Backbone prevê o cumprimento de 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão em diferentes municípios fluminenses, incluindo Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé. Marcinho VP, que está preso desde 1996, também foi alvo de mandado judicial na penitenciária federal de segurança máxima em Campo Grande (MS).

A Justiça determinou ainda o bloqueio de até R$ 558 milhões em bens e valores de 40 pessoas físicas e 42 empresas. As medidas incluem a suspensão das atividades de negócios investigados, como provedores de internet, produtoras de eventos, uma empresa de contabilidade e empresas suspeitas de servirem de fachada.

Os investigados poderão responder por crimes como domínio social estruturado, extorsão majorada e lavagem de dinheiro, entre outras infrações. As responsabilidades individuais ainda serão apuradas no decorrer do processo judicial.