PF encontra contrato de R$ 131 milhões com esposa de Moraes e cartões de R$ 300 mil para filhos

Relatório da Polícia Federal cita alteração registrada em nome do ministro no documento e mensagens que indicariam contatos entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro antes da prisão do banqueiro

Publicado em 1 de setembro de 2026 às 16:34

Relatório da Polícia Federal cita alteração registrada em nome do ministro no documento e mensagens que indicariam contatos entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro antes da prisão do banqueiro
Relatório da Polícia Federal cita alteração registrada em nome do ministro no documento e mensagens que indicariam contatos entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro antes da prisão do banqueiro Crédito: Reprodução 

Relatórios da Polícia Federal enviados ao Supremo Tribunal Federal apontam novos elementos sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes, do STF, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Segundo os documentos, metadados de uma minuta de contrato de R$ 131 milhões entre o escritório e o Banco Master registram uma alteração feita às 23h04 de 15 de janeiro de 2024 por um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.

De acordo com os dados analisados pela PF, o documento foi alterado no sistema Office 365 e a edição ocorreu após Vorcaro devolver uma versão da minuta com modificações. O contrato previa a prestação de serviços jurídicos pelo escritório de Viviane Barci de Moraes ao Banco Master e acabou sendo assinado posteriormente. O escritório confirmou que Alexandre de Moraes teve acesso ao documento, mas afirmou que o ministro foi consultado para verificar possíveis impedimentos legais relacionados à contratação.

A investigação também encontrou mensagens que indicariam que Vorcaro procurava informações e apoio de Moraes pouco antes de ser preso pela Polícia Federal, em novembro de 2025. Segundo os relatórios, o banqueiro teria buscado saber sobre o avanço das investigações e sobre o risco de uma operação contra ele. Vorcaro acabou detido no Aeroporto de Guarulhos quando se preparava para viajar ao exterior.

Outro ponto citado pela PF envolve cartões de crédito do Banco Master destinados aos filhos de Alexandre e Viviane. Segundo os documentos, Vorcaro teria autorizado pessoalmente a emissão de cartões para Giuliana e Alexandre Barci de Moraes, cada um com limite de R$ 300 mil. O pedido teria sido intermediado por Guilherme de Toledo Benazzi, administrador do escritório de Viviane, e encaminhado à área comercial do banco, que recebeu de Vorcaro a autorização para prosseguir.

Os relatórios também apontam que a relação comercial entre o banco e o escritório de Viviane envolvia um contrato de aproximadamente R$ 131 milhões. Segundo informações apresentadas pela própria banca, os serviços jurídicos foram efetivamente prestados durante o período de vigência do acordo. O escritório afirma ainda que Moraes nunca julgou no STF uma causa envolvendo o Banco Master.

As novas informações fazem parte da investigação sobre as relações de Vorcaro com diferentes autoridades e agentes públicos. O caso está sob análise do ministro André Mendonça, que avalia os próximos passos da apuração no Supremo. A PF também investiga outras suspeitas envolvendo o Banco Master e pessoas ligadas à instituição.

O Banco Master foi alvo da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades envolvendo a instituição financeira. Vorcaro foi preso em novembro de 2025, quando se preparava para deixar o país, e o Banco Central posteriormente determinou a liquidação extrajudicial do banco e de sua corretora.