PF faz buscas no RJ contra importação ilegal de canetas emagrecedoras

Estudo revela que mais de metade das doses consumidas no país circulam sem nenhum controle sanitário ou registro da Anvisa.

Publicado em 9 de julho de 2026 às 09:32

PF faz buscas no RJ contra importação ilegal de canetas emagrecedoras
PF faz buscas no RJ contra importação ilegal de canetas emagrecedoras Crédito: Reprodução

A febre das canetas emagrecedoras abriu as portas para um mercado clandestino perigoso, e a Polícia Federal entrou em campo para frear essa expansão. Na manhã desta quinta-feira (09), agentes federais deflagraram a Operação Perigosa Caneta no município de Volta Redonda, no Sul Fluminense. O objetivo é desmantelar um esquema de importação ilegal e venda de medicamentos para perda de peso que entram no país e são comercializados sem o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A ofensiva policial concentrou seus esforços em locais estratégicos de Volta Redonda, cumprindo três mandados de busca e apreensão. Duas dessas ordens judiciais foram executadas no bairro Três Poços e a outra no bairro Santo Agostinho, todas expedidas pela 3ª Vara Federal de São João de Meriti.

Toda a investigação começou a andar a partir de um telefonema anônimo. A denúncia detalhava a atuação de um suspeito que vendia as fórmulas emagrecedoras sem qualquer tipo de certificação regulatória o que é obrigatório para garantir a segurança de quem usa. Agora, com os materiais recolhidos na ação de hoje, a PF busca consolidar as provas para enquadrar os envolvidos nos crimes de contrabando e comércio de medicamentos sem registro.

A ação da Polícia Federal não acontece por acaso. Ela coincide com uma explosão sem precedentes no desejo dos brasileiros por esses tratamentos. Dados recentes de um levantamento feito pela Scanntech apontam que o consumo dessas canetas emagrecedoras disparou impressionantes 239% no primeiro trimestre de 2026, quando comparado aos mesmos meses do ano anterior.

O mercado legalizado, obviamente, surfou essa onda, registrando uma alta de 125% em faturamento e 63% no volume de vendas. O problema real mora no escoamento dessa demanda: o mesmo estudo acendeu um alerta vermelho ao estimar que mais de 50% das doses que circulam no Brasil atualmente vêm de canais informais e sem procedência garantida.

Como descobriram a fraude? Os analistas chegaram a esse dado preocupante cruzando as vendas das canetas com o comércio de seringas de insulina. O salto nas vendas de seringas foi muito maior do que o crescimento real de pacientes com diabetes, provando que boa parte dos consumidores compra a medicação para emagrecer fora das farmácias tradicionais e precisa adquirir os aplicadores separadamente.