Publicado em 7 de maio de 2026 às 09:03
A manhã desta quinta-feira (7) começou movimentada para a cúpula política e financeira do país. A Polícia Federal colocou nas ruas a quinta fase da Operação Compliance Zero, focando em um suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro que envolve o antigo Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. Desta vez, o cerco fechou para nomes conhecidos de Brasília, incluindo o senador Ciro Nogueira (PP-PI).>
Segundo as investigações autorizadas pelo ministro André Mendonça, do STF, Ciro Nogueira é apontado como o principal destinatário de vantagens indevidas. A PF sustenta que o ex-ministro teria usado sua influência parlamentar para beneficiar os negócios de Vorcaro. Como medida cautelar, o senador está agora proibido de manter qualquer contato com outros investigados ou testemunhas do processo.>
A ofensiva também atingiu o núcleo familiar do parlamentar. Seu irmão, Raimundo Neto, foi alvo de medidas restritivas severas: ele terá que usar tornozeleira eletrônica, entregar o passaporte às autoridades e também está impedido de se comunicar com os demais envolvidos no caso. No centro operacional do esquema, a PF efetuou a prisão temporária de Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel. Ele é descrito pelos investigadores como o braço direito financeiro, responsável por transformar decisões estratégicas em movimentações de dinheiro reais.>
Ao todo, os agentes cumpriram 10 mandados de busca e apreensão espalhados por quatro unidades da federação, abrangendo os estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e o Distrito Federal. Para garantir o ressarcimento dos cofres públicos e frear a organização, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 18,85 milhões em bens e valores. Esta fase busca aprofundar o que já foi descoberto em etapas anteriores, como a que levou à prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, em abril.>
Enquanto a operação ganha fôlego, o próprio Daniel Vorcaro permanece detido em Brasília. O cenário, porém, pode mudar em breve: sua defesa apresentou uma proposta de delação premiada nesta semana. O documento já está sob análise da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), o que promete novos capítulos e, possivelmente, novos nomes para esta complexa engrenagem de crimes financeiros.>
Até o momento, a defesa dos citados não se manifestou oficialmente sobre as novas acusações, mas o espaço permanece disponível para os esclarecimentos necessários.>