PF pede prisão de MC Ryan e Poze após habeas corpus do STJ

Pedido ocorre horas depois de decisão que mandou soltar 33 investigados

Publicado em 23 de abril de 2026 às 15:02

Pedido ocorre horas depois de decisão que mandou soltar 33 investigados
Pedido ocorre horas depois de decisão que mandou soltar 33 investigados Crédito: Reprodução 

Nesta quinta-feira (23), a Polícia Federal solicitou a prisão preventiva dos funkeiros MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além de outros investigados, horas após o Superior Tribunal de Justiça conceder habeas corpus que determinou a soltura de 33 alvos da Operação Narco Fluxo.

O novo pedido inclui também Raphael Sousa Oliveira e outros nomes ligados ao esquema investigado por lavagem de dinheiro, que, segundo a PF, pode ter movimentado cerca de R$ 1,6 bilhão.

A decisão que concedeu liberdade aos investigados foi assinada pelo ministro Messod Azulay Neto, que apontou irregularidade na prisão temporária decretada pela Justiça de Santos. Segundo ele, o prazo estabelecido inicialmente pela polícia era de cinco dias, mas foi ampliado sem justificativa para até 30 dias, o que caracterizou ilegalidade.

O habeas corpus foi estendido automaticamente aos demais investigados, incluindo MC Poze do Rodo, com base no chamado efeito extensivo, previsto na legislação penal.

Especialistas em direito ouvidos apontam que a ampliação do prazo sem justificativa adequada torna a decisão desproporcional. Eles explicam que, embora o juiz não esteja totalmente vinculado ao pedido da polícia, não pode impor medida mais severa sem fundamentação clara.

A Operação Narco Fluxo mobilizou mais de 200 policiais federais e cumpriu dezenas de mandados de prisão e busca em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Maranhão e Distrito Federal. Seis pessoas seguem foragidas.

Segundo a PF, o grupo investigado pode ter movimentado valores ainda maiores, com suspeitas que ultrapassam R$ 260 bilhões. Durante a ação, foram apreendidos documentos, dinheiro, veículos e equipamentos eletrônicos.

A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens de investigados, incluindo MC Ryan SP, além de medidas para restringir atividades financeiras e empresariais dos envolvidos.

As investigações continuam, e os suspeitos podem responder por crimes como associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.