PF prende pai de Vorcaro em megaoperação contra fraude bilionária

Sexta fase da Operação mira esquema de corrupção e desvio de R$ 12,2 bilhões envolvendo o Banco Master e o BRB.

Publicado em 14 de maio de 2026 às 07:43

PF prende pai de Vorcaro em megaoperação contra fraude bilionária
PF prende pai de Vorcaro em megaoperação contra fraude bilionária Crédito: Reprodução/Redes sociais

Uma engrenagem financeira clandestina que movimentava bilhões de reais acabou de ser alvo de um duro golpe da Polícia Federal. Na manhã desta quinta-feira (14), agentes federais foram às ruas para cumprir sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão na sexta etapa da Operação Compliance Zero.

O principal alvo da ação foi o empresário mineiro Henrique Vorcaro, pai do proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro. A ofensiva, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), aconteceu simultaneamente em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, resultando ainda no congelamento histórico de R$ 12,2 bilhões das contas dos envolvidos.

Henrique Vorcaro foi detido em Belo Horizonte. Conhecido no mercado corporativo, ele comanda o Grupo Multipar, uma holding de peso que atua fortemente nos setores de construção pesada, infraestrutura, energia e agronegócio.

A investigação detalha um desenho complexo de fraudes que atinge o coração do Sistema Financeiro Nacional. No centro do escândalo está uma parceria suspeita entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Segundo a Polícia Federal, a instituição de Vorcaro criava carteiras de crédito falsas, basicamente títulos fictícios, sem qualquer garantia real para maquiar os balanços financeiros e simular que o banco tinha muito mais dinheiro em caixa do que a realidade mostrava.

Com os números inflados de forma artificial, esses ativos desvalorizados e sem valor real de mercado (os chamados "ativos podres") eram vendidos para o BRB. Para que a engrenagem funcionasse sem levantar suspeitas, o grupo contava com o silêncio e a colaboração de funcionários públicos e agentes internos que deveriam fiscalizar as operações, mas decidiram fazer vista grossa.

Além das prisões e do bloqueio bilionário determinado pelo STF para ressarcir os cofres públicos, a operação determinou o afastamento imediato de servidores de seus cargos e o sequestro de bens dos suspeitos. O grupo é investigado por uma série de crimes graves que vão muito além da fraude bancária: organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção, invasão de computadores, violação de sigilo profissional e até ameaça.